19.4.10

Tempo de tupiniquizar o Brasil!

Pessoal, esse é o meu priminho Krwmym, que mora na Amazônia, numa das poucas aldeias que restaram nesse continente, onde ainda é possível viver de um modo semelhante à forma como os habitantes nativos viviam antes da sua conquista pelos europeus. Estas são cenas de uma das minhas histórias em quadrinhos ainda inéditas, intitulada "Choque de culturas", q será publicada no segundo semestre deste ano, impressa, de acordo com o atual cronograma do projeto do meu gibi!
Hoje, 19 de abril, é um dia simbólico pra lembrarmos que há alguns séculos o mundo deste lado do Atlântico era diferente, havia nele uma cultura autóctone (mim falar melhor que índio americano em filme do velho oeste!...rsrs); infelizmente, essa cultura não foi respeitada quando chegaram a estas terras os habitantes de um velho mundo, que se dizia mais desenvolvido mas que cultivava a cultura da guerra e da depredação. E não foi apenas a nossa cultura que foi massacrada, todos sabemos disso. Milhões de índios perderam suas vidas pela força, pela doença ou pela miséria causada pelos colonizadores. Pior: isso acontece ainda hoje, quando madeireiros ilegais e grileiros expandem suas áreas de exploração extrativista e agro-pecuária sobre os poucos territórios onde sobrevivem os descendentes das etnias silvículas. Cultural, social e economicamente, ainda somos massacrados por uma sociedade demasiadamente consumista, que explora e aliena não apenas índios, mas talvez toda a população desse país!

É tempo de perdoar erros antigos, mas também de revisar toda a História e recontá-la com a ajuda dos que foram conquistados e escravizados, ou seja, os remanescentes índios e os descendentes de origem africana, dos colonos europeus e asiáticos que foram explorados, dos filhos de portugueses e espanhóis pobres que também sofreram porque não participavam da nobreza nem da realeza. Afinal, hoje, todos formamos o país que luta por sua emancipação moral diante do mundo. Estamos produzindo uma nova cultura, e talvez uma nova etnia, e a participação do índio e do descendente indígena, bem como daquilo que ainda sobrevive ou pode ser resgatado de nossas tradições nativas, é imprescindível nesse processo. Um dia, teremos uma cultura autóctone de novo, e uma raça brasileira, da qual nos orgulharemos muito. Mas o que me enche de esperança é saber que essa nossa cultura e raça brasileira poderá se relacionar pacificamente com todas as outras raças e culturas... a menos que sejamos ameaçados de novo! Nesse caso, que as lições do passado sirvam para nos ensinar a lutar e defender nossas vidas e honra, nossas crenças, tradições, nossas matas, nossa natureza e nossa ciência!

Enquanto caminhamos para a construção desse país soberano, lembremos sempre dos seres humanos que chegaram primeiro, que respeitaram o meio ambiente e com ele conviveram harmoniosamente. E lembremos que graças a Deus (ou a Nhanderú, se preferir!) ainda há muitos deles entre nós, nas matas como o meu priminho Krwmym, nas reservas, algumas bem amparadas e outras muito necessitadas, e nas cidades, como eu, filho de índios que vieram para a sociedade estudar, trabalhar e lutar pela nação que se desenvolve, sem deixar de ser índios. Aqui nos quadrinhos isso é possível, mas não quero ser apenas uma utopia. O Tupinanquim ambiciona uma identidade para o Brasil, e representa os abás, as cunhãs, os curumins e cunhantãs que sobrevivem com os espíritos tupi, guarani, gê, cren, pareci, goytacaz, aruaque, guaycurú, tapuia, pano-kaxinauá, etc; e também os filhos da europa, da áfrica e da ásia que quiserem adotar a condição de ter um coração tupiniquim!
Tupinanquim

PAIQUERÊ

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgG2M45KBODz7d90DaK2mXuGCEjeqSmYl2iJYbec7gje5IYT6d8gxMy1aKncqevOqX7huRg0YLJHXAtLQZLbPD8d0dIMmn8V6hnFlcUITzCm9KshiitR6EO1olaDrougCvzn-5RBw/s1600/cachoeira-tupinanquim.jpg"Todos os índios do sertão de Guarapuava informavam do mesmo modo: os campos do Paiquerê eram os mais belos, amplos e férteis do ocidente, riscados por límpidos ribeiros que corriam sobre brancos seixos para os grandes vales do Ivaí, do Piquirí e do Iguaçu.
À luz do sol e da lua, sob o fulgor das estrelas ou sob a cúpula do firmamento de azul pleno e tranqüilo, a grama eternamente verde do Paiquerê infinito era o pasto, o leito e o ninho de uma fauna de incontáveis espécies, magnífica e deslumbrantre de beleza.
(...)
E os capões bailavam, rodando à passagem dos caminhantes, no movimento da vida farta, num contágio de eletrizante alegria.
A natureza ali exsurgia em tudo numa glória eterna e incomparável, na paz festiva da abundancia e da fraternidade.
Mas onde era esse rincão do Paraíso?
Todos os índios o descreviam aos férreos homens de aventura e de cobiça de aqueles tempos de dantes, mas esses homens partiam sorrindo à sua conquista e se perdiam no sertão!
Guiavam-se pelas aves em revoada, pelo marulho das águas, pela limpidez translúcida do céu, pelo rugido da Puma e se tresmalhavam na floresta!
Caminhavam pisando urzes sem senti-las, dentro de um sonho, alimentados de desejo e de esperança, e aniquilados por fim estatelavam diante da realidade vencedora da selva e da Montanha!
Onde era, então, o Paiquerê?
***************
O Paiquerê era como a Felicidade: estava em toda parte e em parte alguma! Sem cobiça via-o o índio, estendido e luminoso, farto de frutos, nas terras altas, perto do céu, junto das águas mansas da terra antiga e acolhedora.
Não o via, porém, o egoísta, e entretanto ele ali estava, cobrindo das flores de ouro dos ipês as cabeças dos aventureiros, irradiando para todos os rumos da amplidão o canto das aves que passavam batendo as multicores asas sonorosas bem perto do ambicioso!
***************
Quantas vezes também nós andamos, na alucinação dos desejos, por toda parte procurando, sem nunca encontrar, uma visão sedutora como o Paiquerê!"...

MARTINS, Romario. Paiquerê – Mitos e Lendas, Visões e Aspéctos. Curitiba: 1940. (p. 9-10; ortografia atualizada)
___________________________________________________
Gostaram do texto? Romário Martins, escritor e historiador paranaense, representa, dentro dos temas indígenas para o Estado do Paraná, o mesmo que o General Couto de Magalhães representa nestes mesmos temas para o Brasil.
Hoje é o DIA DO ÍNDIO, uma data simbólica e extremamente modesta criada para homenagear os habitantes nativos do nosso continente, e suas culturas peculiares das quais resta um pouquinho, hoje, no dia-a-dia de todo o povo brasileiro. Infelizmente, a valorização e o respeito ao meio-ambiente natural com sua riquíssima biodiversidade e belíssimas paisagens não foi assimilada pelo colonizador europeu q determinou a maior parte de nossa cultura "civilizada"; mas ainda restam os recônditos entre as montanhas, como mostra o cartum acima.
Esse desenho, pintado com tinta acrílica, é de 1998, e tornou-se o adesivo mais vendido do curumim urbano na época. Também é uma das ilustrações presentes no meu livro de poesia Desenhos de linguagem. Durante o dia vou postar mais algumas homenagens e reflexões sobre a questão indígena. Acompanhe!
Erick Artmann

16.4.10

desenhistas!

Ontem, 15 de abril, foi o dia do desenhista! E estamos postando a HQ com um dia de atraso por culpa dele, claro: o meu desenhista.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjoTkI-VhUQApJNQJMFH0zyuu8iG8OjcQcl7bjt4Hg1MoZxtkwMWrR-YB9BlLtd8dre0ZgEzMRO7z5zS_Fi93-aT48uk8UjDO1NFm5ywYhUPMTWBRoys0808MVZBXDHUhSJEcmxzA/s1600/desenhistaBLOG1.jpg
Estou postando a homenagem, eu, personagem de HQ, que não existiria sem o escritor e o desenhista, que no meu caso são a mesma pessoa; mas a história vem de longe: dos desenhos nas paredes das cavernas, passando pela história egípcia contada nas paredes das pirâmides e outros monumentos, pelos grandes pintores artísticos e também desenhistas técnicos, os projetistas, arquitetos, engenheiros que colocaram antes no papel muito do q hoje é a a cultura e tecnologia material da nossa civilização. Ei... será que Deus desenhou o universo antes de criá-lo?!
O século XX foi o século do desenho: animado, em quadrinhos e cartuns, na publicidade, nos video-games! Já no século XXI, com a realidade virtual da computação (na arte) gráfica, realidade e desenho começam a se misturar. Breve, personagens de ficção serão confundidos com personagens reais... mas o charme de um personagem e de qualquer objeto de arte, como arte, dependerá sempre... do artista! Então viva os desenhistas, todos os dias!
Em tempo: hoje é o dia da voz; e graças ao desenho, à linguagem escrita e a essa maravilha q é o computador e a internet, to eu aqui ganhando voz no planetinha azul! Ayumana!

Créditos finais da HQ: o Onça-lino é uma criação do Leon, o Carne Moída é do Mozart e o Super Lanterna é do Alexandre, os personagens reais em que se baseia essa turma.

11.4.10

os arroios urbanos

Bom, depois da brincadeira de primeiro de abril (que homenageou a velha editora Abril e todo aquele seu universo de quadrinhos infanto-juvenis de algumas décadas atrás), vamos falar um pouco sobre os gibis reais e já publicados do nosso curumim urbanóide. Decidi começar justamente pela última publicação impressa, "Os arroios urbanos de Ponta Grossa", por tratar-se de um gibi educativo, q fala sobre o meio-ambiente e a importância da preservação dos arroios e matas ciliares, e também de uma questão importante e atualíssima que é a urbanização dessas áreas.
Nesta aventura, publicada pela Secretaria Municipal de Turismo e Meio-ambiente da prefeitura de Ponta Grossa, Pr, em 2004, o Tupinanquim e seu pai, o Tipuxáua, visitam a cidade de Ponta Grossa para conhecer os arroios, com sua importância, e também os problemas acarretados pelo avanço da cidade sobre essas áreas de grande fragilidade aos impactos ambientais. Em Ponta Grossa eles são recebidos pela Princesinha dos Campos Gerais, apelidada pelo Tupi de "A menina dos olhos d’água do Paraná”, que é também o título da história, e por seu tio Fritz, uma espécie de cientista maluco (ou nem tanto...).
Há muito tempo eu queria fazer uma cartilha ou gibi falando sobre a importância da preservação das margens dos nossos córregos, pois sempre fui apaixonado pelas paisagens naturais da região e já trabalhava com causas ambientalistas numa ONG; também morei, quando criança, perto de um desses arroios que com o tempo foi engolido pela cidade, sepultado em manilhas, concretado. A oportunidade apareceu quando o então governo municipal desenvolvia um projeto interessante, que previa, entre outras coisas, a desocupação das margens desses arroios, relocando, ou seja, oferecendo às pessoas que moravam nas margens (principalmente quando áreas de risco) casas melhores em áreas próximas, porém seguras; e então replantando as matas ou criando áreas de “parques lineares” ao longo dessas margens.
Mas no gibi pudemos falar bem mais do que isso. Na HQ, enquanto os quatro personagens visitam alguns arroios com maiores e menores graus de interferência urbana, os adultos explicam e discutem as questões relacionadas, e nossos jovens heróis ficam fascinados com algumas belezas ainda encontradas e ao mesmo tempo tristes com a degradação do ambiente e os riscos a que as pessoas que vivem ali acabam se submetendo por causa disso.
Os problemas com nossos arroios e com as encostas dos morros, também ocupadas de forma irregular, não acabaram e alguns casos até se agravaram, especialmente nessas épocas de chuvas fortes, quando ocorreram enxurradas, pequenas enchentes, e recentemente alguns deslizamentos de encostas, não tão graves como as tragédias que acabamos de ver no Rio de janeiro, mas mesmo assim riscos às vidas de alguns cidadãos... riscos que poderiam ser evitados se os problemas sócio-ambientais fossem tratados com seriedade por todos os governos, e a educação ambiental fortalecida. E isso, claro, deve acontecer em todas as cidades do nosso país! A nossa grande esperança ao trabalhar temas educativos com os personagens de quadrinhos, destinados à infância e à juventude, é que um dia as mensagens que nossos pequenos heróis da ficção estão transmitindo sejam de fato praticadas pelos cidadãos e quiçá heróis da vida real.
(páginas 9 e 10. clique sobre elas para ampliá-las)

4.4.10

escalando

Para os guarani, a nação à qual pertencia a tribo de Jacyendi, minha mãe, havia um Deus maior do que todos chamado Nhanderu Ete, filho de Tupã Jasuka, a energia criadora! Nhanderu Ete desposou Nhande Syete, a nossa deusa mãe, e assim nasceu o primeiro homem a habitar a terra: Nhande Ypi, o nosso tataratatataratatataratataravô ou o Adão na cultura guarani! Depois de muitas longas aventuras mitológicas, algumas muito parecidas com as histórias da bíblia como aquela do dilúvio (q existe também em quase todas as culturas muito antigas) e outras muito diferentes, em um certo momento Nhanderu Ete enviou Nhanderu Ra'y para ensinar aos homens o caminho do bem, do respeito a todos os povos e a todas as formas de vida.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiNV2y4njgio-Bo82IjMR-MjfMi7HISumhluuQGvpowzuoJieyThnLMxQNjHIdtZ0FcPSPXUxLZwH0rtYG7NvHh_A__oZwcAC-CM4bmJ_J2xYuc6FQntMiCJhyphenhyphenhyNLOEgOcQ7tT0w/s1600/montanhafe2010.jpg
Nhanderu Ra'y é, para muitos, a versão guarani de Jesus Cristo. Alguns dirão q foram os jesuítas que fizeram essa comparação modificando um pouquinho as nossas lendas originais. Seja como for, hoje comemoramos a páscoa, que já é uma mistura de diferentes tradições, mas tem como personagem principal aquele que pode ser considerado o maior herói da humanidade. Pra mim não importa se a história de Jesus Cristo é ficção ou realidade, afinal a minha história também é uma ficção e aqui estou eu, passando uma mensagem que poderá ser lida e vista por muitas pessoas, e as pessoas devem julgar se essa mensagem é ou não importante pra elas. Também não culpo Jesus nem aqueles que escreveram a sua história pelos crimes q os colonizadores europeus, inclusive os chamados "jesuítas", cometeram contra o meu povo: afinal isso tudo foi muito depois da história de Jesus ter acontecido ou ter sido escrita por seus primeiros seguidores.

Então deixo aqui a minha mensagem de fé, fazendo um trocadilho com a frase original de jesus, que dizia q a fé pode mover montanhas. Bombas também podem mover montanhas, o legal mesmo é escalar, e é isso q devemos fazer em nossas vidas até alcançarmos os objetivos mais altos ou complicados q consideramos importantes!

Por fim, quero aproveitar que estou falando em Jesus Cristo pra indicar uma leitura um pouco diferente sobre esse cara, em quadrinhos: é o álbum Yeshua - assim em cima assim embaixo, de Laudo Ferreira e Omar Vinhole.

Ah, sim: as informações sobre Nhanderu foram baseadas especialmente no livro Kyvy Mirim, de Brígido Ybanhes e Márcia Széliga, e no texto de Ozias Deodato Alves Jr, que pode ser encontrado nesse link http://www.staff.uni-mainz.de/lustig/guarani/floripa/ .

22.3.10

DrummOndeAndo

Em homenagem ao dia mundial da água...
[drummond1.gif.gif] [drummondeando2laguinho.jpg]

Olá, amigos. Esta hq, inspirada no "poema da pedra" de Carlos Drummond de Andrade, aconteceu na prancheta do Erick em 1998, no meu primeiro ano de existência como personagem, e já ilustrava, em sua primeira versão, o convite de nossa primeira exposição de quadrinhos, realizada naquele ano no Sesi em Ponta Grossa; apareceu também em alguns adesivos e cartões artesanais e numa animação feita em power point. Nesta versão atual, a hq integra o livro de poesia "Desenhos de linguagem", lançado pelo Erick Artmann e o selo "À Margem" no final de 2008.
Em princípio pensamos em postar apenas a arte do último quadrinho, por causa do laguinho, como referência ao Dia Mundial da Água! Mas como a hq já tem mais de 10 anos e permanecia inédita na internet, achei q já era hora de apresentá-la a vocês, leitores do meu blog Tupifanzim. Com a HQ, retomamos também a proposta de transformar o blog numa página de quadrinhos na rede, ou webcomic, ja q é justamente nas histórias em quadrinhos, cartuns e tiras que eu me sinto mais à vontade...
Sobre a água e sua importância na vida dos seres do planeta, vamos falar num próximo post em breve; até porque tenho muitas aventuras relacionadas ao tema, fiquem acompanhando! Abraços e até breve!

20.3.10

goiaba & cia

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Hoje, oficialmente começou o outono! Mas ao invés da imagem clássica usada pra representar a estação, de árvores perdendo suas folhas, resolvemos postar esta cena mais tropical, cheia de vida e sabor, homenageando a entrada do novo ciclo. Afinal, pra nós, neste país de clima mais quente e de rica biodiversidade, a maioria das centenas de espécies de árvores de nossas florestas não perdem as suas folhas, mas muitas delas produzem nessa época os seus frutos e sementes; podemos dizer, assim, que o outono é, pra nós, a estação das frutas! E assim como o Chico Bento do Maurício, o Tupinanquim adora goiabas! Aliás, ele adora todas as frutas nativas, que não por acaso têm seus nomes com origem nas línguas indígenas: goiaba, araçá, jabuticaba, guabiroba, uvaia, pitanga (todas essas da mesma família, as mirtáceas), butiá, jerivá, açaí (que dão em palmeiras) , cupuaçu, maracujá, caju, cajá e tantas outras, inclusive as que não são necessariamente nativas do Brasil, como o abacate e o cacau (eba! e vem chegando a páscoa...), que foram trazidos há séculos do México e da América Central. Então.... aproveite e procure as frutas da estação em sua região... se puder comê-las em cima da árvore como faz o nosso herói curumim, melhor ainda!!!


Sobre a arte: no ano passado postamos um tutorial completo, ou um “making off”, mostrando como foi feito esse desenho. Você pode conferir a série, passo a passo, no flog do Tupi a partir deste post.

16.3.10

Tributo ao Glauco

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Olá pessoal.

Fiquei alguns meses sem postar nada sobre as aventuras do Tupinanquim e sua vida em Itaquessaba e no mundo dos quadrinhos; já tava na hora de retornar, e nesse momento dramático após a morte do genial e inspiradíssimo cartunista Glauco, o tema do primeiro post do ano é a minha humilde homenagem. Tributo também um pouco atrasado, considerando que a maioria dos colegas quadrinhistas e cartunistas postou seus cartuns já a partir do dia da tragédia, doze de março, quinta feira passada.

A verdade é que estou um pouco ausente não apenas da internet e das publicações on-line ou impressas, mas também da própria vida artística. Não cabe aqui hoje explicar porquês, só quero dizer por hora que eu e o meu personagem mais querido estamos voltando.

Falar um pouco sobre o Glauco: como muita gente da minha geração, consumidor de gibis no início dos anos 80, o Chiclete com Banana do Angeli foi a minha primeira leitura de tiras brasileiras com tema adulto: primeiro foram as coletâneas de tiras que saíram nas bancas, incentivando a acompanhá-las também nos jornais; depois, em 1986 veio a revista bimestral do Angeli que virou febre e logo depois a Circo e a revista dos Piratas e a do Geraldão! Mas bem antes de sair a revista do Geraldão todos nós, fãs da pioneira Chiclete, já éramos fãs de “Los três amigos” Glauco, Laerte e Angeli, um processo natural já que os três autores e seus personagens se completavam num universo cotidiano e ao mesmo tempo bizarro, diverso e coeso como o universo de heróis da DC, onde conviviam com grandes diferenças Batman, Superman e o Monstro do Pântano, por exemplo. Se os personagens do Glauco tinham, por um lado, o traço extremamente estilizado e simplificado, eles traziam em suas linhas rabiscadas e nos diálogos a naturalidade de um mundo ridículo, renegado pela ficção até então, ou excessivamente dramatizado nos quadrinhos e cartuns marginais e escatológicos, com desenhos cheios de sombras, iniciados por Robert Crumb e que no Brasil influenciaram mais Angeli e Marcatti. Para o Glauco, mais do que para os colegas, o bizarro era uma coisa comum, normal, o ridículo está presente em nossas vidas todos os dias e por isso não é preciso chocar: podemos rir e até sentir carinho pelo solteirão que anda pelado carregando seus vícios e sentindo tesão pela própria mãe.

Por fim, uma coisa que me chamou a atenção foi a postura do Glauco diante de uma prática religiosa nesses últimos anos. Como padrinho de uma comunidade do Daime, doutrina que reuniu cristianismo e práticas xamânicas/indígenas e, consequentemente, é alvo de preconceitos, mas também uma novidade curiosa no mundo teológico, Glauco mostrou ao país que definitivamente seguia seu caminho do bem e que sua busca por um mundo melhor ia além do humor sarcástico e críticas político-sociais presentes em suas tiras. Quero mandar um abraço sincero e comovido à família, e dizer que me orgulho de ser um artista quando olho pra esse cenário, nesse país onde apesar de todas as repressões e dificuldades por que passamos, homens como o Glauco Villas Boas deixaram os seus traços na história pra todas as gerações futuras! Às autoridades: façam justiça!

1.9.09

LARANJA: É gostosa e faz bem pra saúde!

A HQ “Programa +V.C”, com a participação da Beta, do Félix, Volf e Zumbi, parodiando um conhecidíssimo programa de TV matinal, tem um tema extremamente atual, até ligeiramente atrasado, considerando que estamos no finalzinho do inverno e da ‘alta temporada’ das frutas cítricas. Divertidamente educativa, fala sobre saúde e nutrição e inclui o tema da nova gripe numa abordagem praticamente ignorada pela imprensa e governos: a utilização da Vitamina C in natura, através do consumo de frutas, nesse caso a laranja, a fim de fortalecer o sistema imunológico e diminuir os efeitos e duração (isso é comprovado) em caso de contaminação. A HQ já foi publicada, em 5 partes, no fotolog do Tupi, onde teve até um epílogo extra. Depois dos quadrinhos, uma breve exposição de informações e reflexão sobre o tema!


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clique sobre as páginas 2 e 3 para ampliá-las























O conceito de que a vitamina C pode evitar a incidência de gripes ou resfriados foi defendido pelo cientista Linus Pauling, ganhador de um prêmio Nobel, em seu livro Vitamina C e o Resfriado Comum (Vitamin C and the Common Cold), de 1970. A tese, no entanto, não foi completamente aceita pela comunidade científica e com o tempo tornou-se bastante polêmica, embora Pauling tenha continuado a defendê-la em livros posteriores, incentivando a auto-medicação com doses elevadas de vitamina C tanto pra prevenir quanto pra combater resfriados ou gripes já adquiridos. E na verdade esta é uma das razões da polêmica: incentivar as pessoas a tomar altas doses de qualquer produto farmacêutico pode não ser uma boa política; efeitos colaterais podem ocorrer, e nesse caso o mais citado é o possível desenvolvimento de cálculo renal em organismos que não consigam adaptar-se inteiramente às doses excessivas. A idéia de que ela realmente previne ou evita a contaminação ou manifestação de sintomas em pessoas saudáveis, com uma nutrição equilibrada, não foi comprovada nas pesquisas em todos esses anos.
No entanto, é unânime a opinião médica de que a vitamina C contribui para a formação dos anticorpos que defendem o organismo, e que a carência desse nutriente torna a pessoa mais suscetível ao contágio pelo vírus influenza e outros; vendo por esse lado, garantir a dose mínima que o organismo necessita ajuda a prevenir a doença, sim! A ingestão da vitamina é aconselhada por médicos e fitoterapeutas sem restrições através do consumo de frutas e de sucos naturais. Mas os mesmos cientistas que questionam ou combatem a tese de Pauling de que a ingestão da vitamina previne a gripe, concordam que ela pode “encurtar” a duração e reduzir os efeitos da(s) gripe(s)1 ; isto já foi comprovado em inúmeros estudos, e ironicamente, reduzir os efeitos e encurtar a duração da gripe é o que qualquer remédio químico produzido até hoje consegue fazer, inclusive o panacéico Tamiflu!

Então, não há razão pra você não usar, abusar e se lambusar com as frutas ricas em vitaminas! O pior que pode acontecer é uma dor de barriga se você comê-las podres ou exagerar demaaaaaaaaais! Outra dica importante, além da vitamina C abundante nas frutas cítricas como a laranja, o limão e a mimosa, é a vitamina A, presente em frutas e legumes de cor alaranjada (como o mamão e a cenoura), que auxilia a renovação das células ciliadas das vias aéreas, detonadas depois da passagem dos vírus2 .

Claro que a higiene das mãos e as dicas que a imprensa e os órgãos públicos têm fornecido, além de exercícios físicos ao ar livre, cuidados com as mudanças de temperatura, boas noites de sono e alimentação saudável completa também ajudam a evitar a gripe; se você pegá-la, vá ao médico, faça o repouso e siga as recomendações, e acrescente a elas as frutas. Essa é nossa dica, e ela é séria, apesar da forma divertida como a turma do Tupi se expressou; mas na verdade o bom humor é também uma boa dica; há estudos que comprovam que o riso também ajuda a evitar doenças... mas sem “chover” na cara do seu colega!

Não vou entrar no mérito de a tal pandemia ser ou não exagerada, criada por políticos ou ex-políticos americanos e/ou laboratórios farmacêuticos, se a propaganda do álcool gel vem tentar corrigir erros e brigas de governos anteriores com a indústria, se o vírus é mais ou menos letal do que se tem divulgado oficialmente, se a omissão da dica das frutas tem a ver com o fato de os Estados Unidos não serem mais um grande produtor, e sim um importador de suco de laranjas brasileiras... Ah, é, eu disse que não ia falar sobre essas coisas... rs. Seja como for, parece que até a comunidade médica tem dúvidas sobre a gravidade real do vírus influenza A (H1H1), e na dúvida, claro, é preciso recomendar e praticar a cautela. Mas a primavera e o calor estão chegando aí e muitos mosquitos bem parecidos com o aedes egipty já rondam minha casa. Tomara que governo, imprensa e sociedade não se esqueçam da seriedade dessa e de outras campanhas, e das medidas sanitárias, educativas e legais necessárias diante de outras possíveis epidemias... afinal, jogar lixo nos barrancos, por exemplo, e assim contribuir com a proliferação do mosquito, e indiretamente pra que alguém (ou você mesmo) seja picado por um mosquito contaminado, é bem pior do que um supostamente suspeito aperto de mão, um beijo ou abraço num amigo!

Fique à vontade pra divulgar e reproduzir a nossa HQ na net (citando a fonte, claro!); e se você quiser a arte em alta resolução para uma publicação impressa, entre em contato pelo e-mail erick_artmann@gmail.com . E tome suco, chupe laranjas, coma frutas!

Erickson Artmann

1 http://www.geocities.com/quackWatch/resfriados.html
2 rev superinteressante ano 6 n 6 p 58

27.8.09

Dá-lhe Rubinho!

[rubinhoblog.jpg]
Rubens Barrichello, um ídolo diferente do que nos acostumamos a ver nas décadas passadas representando o Brasil nas pistas, tornou-se um injustiçado "vilão" por essa comparação com Senna e Piquet... Mas se o comparamos com a maioria dos homens arrojados que conseguem pilotar um carro de Fórmula 1, podemos dizer que ele está no primeiro time, vencedor de dez grandes prêmios, com os quais colaborou como o quarto maior vencedor brasileiro numa categoria onde brasileiros, há décadas, estão entre os melhores. E a centésima vitória da coleção iniciada por Emerson Fittipaldi em 1970 é dele, Rubinho Barrichello, neste último dia 23 de agosto de 2009, em Valência, na Espanha (Grande Prêmio da Europa).

Na nossa homenagem, o Tupinanquim dá a bandeirada para esse guerreiro, tão humano como qualquer um de nós e tão herói quanto os grandes heróis da História em seus grandes momentos.
valeu, Rubinho!

20.8.09

raulzito1

[tira09-4blog.jpg]
Tirinha 1, em homenagem ao raul seixas, o maluco beleza, pai do rock brasileiro e guru da sociedade alternativa!!! Continua...[tira09-5blog.jpg]
Tirinha 2.
Na verdade, essa continuação estava no "próximo" post, q ficava acima deste. Como ainda não tinha comentários, resolvi editar esse primeiro post com a segunda tirinha e apagar o outro, facilitando a leitura. Acho um barato as tirinhas em sequência, quando criança viajava muito nas tirinhas sequenciais da Mafalda, Garfield e Chiclete com Banana!
bom, sem textos métricos dessa vez, pois se fosse pra escrever tudo sobre Raul... o comprimento do blog ia até a Bahia! Depois escrevo umas histórias relacionadas ao Raulzito, noutro blog; por hora, nossa homengem simples na forma desses quadrinhos, q vão ter sequência (ja rabisquei mais duas tiras, só não sei qdo vou postar). Viva Raulzito!
vem aí uma HQ completa, saindo do phorno, digo, do photoshop. acompanhe!
Artmann (invadindo o profile do Tupi)

16.8.09

e ter na mente roquenrou

[rocknrollsombrablog.jpg]
Desenho feito já há alguns anos pra homenagear o dia do rock, publicado em diferentes versões no flog, com boa repercussão, e também vendido como adesivo numa destas versões. na verdade, a imagem é uma homenagem ao avô do rock'n'roll, Chuck Berry, inpirado diretamente numa de suas fotos mais famosas com seu "passo de ganso". Como sabemos, Chuck não participou do Woodstock, mas acho q é a melhor imagem q tínhamos pra celebrar os 40 anos do histórico festival!!

woodstock eter na mente



"nuvem púrpura mora em meu cérebro
as últimas coisas q eu faço ja não parecem as mesmas
perdoa-me... enquanto beijo o céu"
(purple haze - Jimi Hendrix)

nossa homenagem aos 40 anos do maior festival de música dos últimos séculos (mais uma vez, pirateando o buddypoke do orkut... rs)! WOODSTOCK FOREVER!

12.8.09

escola fechada

[tira09-3blog2.jpg]
Pois é, gente; eu, o Volfe e o Zumbi abusamos um pouquinho . Mas agora estamos tomando mais cuidado; sem lanhouse por uns dias, e pra mostrar q estamos sim preocupados, resolvemos gravar um programa educativo, com dicas pra cuidar da saúde e fortalecer o sistema... "mundológico"(?!?). O programa, divertidíssimo, vai ao ar, digo, à web, em forma de história em quadrinhos, logo logo.
Como podem ver, Tupinanquim, dono do blog, reassumindo as postagens e salvando vocês dos textos quilométricos do Erick!
erê curi (até logo)!

11.8.09

homenagem ao mauricio 2

[coelho-maluco2009.jpg]
Esta é minha segunda arte postada em homenagem ao Mauricio de Sousa... pode parecer politica ou ecologicamente incorreta, mas como eu disse recentemente numa discussão sobre a censura nos quadrinhos realizada no cine-teatro ópera, a arte não precisa ser politcamente correta, e sim a política!
Na verdade eu fiz este cartum em 2007 como resposta a um desafio em que os desenhistas mencionados por outros deveriam postar em seus flogs o desenho original de um coelho; e ao mesmo tempo estávamos divulgando a idéia do "ano dos quadrinhos brasileiros", daí a temática irônica, em q o Tupi dá nó nas orelhas desse conhecido personagem da indústria de entretenimento, inspirado, evidentemente, numa cena ainda mais conhecida, dos quadrinhos tupiniquins! Mas vamos lá, pra não nos acusarem no mundo real de má-influência, cabe a advertência:
CRIANÇAS, NÃO FAÇAM ISSO EM COELHOS DE VERDADE!
Erê curi!

9.8.09

dia dos pais

[diadospaisblog.jpg]
Nossa, essa é velhinha, de 98, o ano em que começamos a divulgação do Tupinanquim (que, portanto, tem 11 anos!!!).

o desenho ainda não estava bem desenvolvido, especialmente nos traços do Tipuxáua, que mudou um pouco, hoje ele normalmente usa uma faixa na cabeça (logo vou postar tiras inéditas e hqs onde ele aparece). Mas acho que deu pra entender a moral, né... nós achamos q somos muito diferentes dos nossos pais, e um belo dia olhamos no espelho, prestamos atenção em nossa voz, hábitos e atitudes, e pensamos... "nossa, quando eu era criança conhecia um cara bem parecido com esse do espelho!" rs.


então, abraços e felicidades a todos nesse dia, pais e filhos, e que dia dos pais e dos filhos seja todo dia em que possamos celebrá-lo através do amor q sentimos!

31.7.09

A exploração das fontes e os detalhes quase subliminares

Essa tirinha é de 2007, e tinha sido publicada quadro a quadro no flog do Tupi, onde eu apenas havia mencionado a existência de alguns detalhes e recursos de linguagem, sem identificá-los, com a promessa de comentar detalhadamente em outro post... que é esse, dois anos depois... rs.

Bom, a primeira coisa que podemos observar no texto é uma mudança nas fontes, logo no primeiro balão. Bem característico dos quadrinhos e da publicidade, esse é um recurso mais visual do que textual. A Poty lê, ou finge que está lendo, e o texto que estaria no jornal é apresentado em fonte arial, tipográfica e comum a jornais impressos, ainda que, na cena, o que o texto representa imediatamente é a fala, e não a escrita.

Outro detalhe importante neste primeiro balão é a grafia: é claro que “ex-bítou Djôm Lênom” é uma representação incorreta, porém mais próxima da pronúncia de acordo com a fonética da língua portuguesa. Nos quadrinhos atuais a Potiquitã está no início de sua fase de alfabetização, como fica claro na sequência da tira, e assim ela não está de fato lendo; então eu representei as palavras como ela imagina que seriam escritas ou, simplesmente, como ela as pronuncia, pois não existe pra ela, ainda, a representação escrita e da língua inglesa, tão diversa da nossa na associação com os sons. Se ela estivesse lendo, provavelmente pronunciaria literalmente be-a-tle ao invés de beatle=‘bítou’. Da mesma forma, ela fala “o óculos”, como já é comum na nossa linguagem coloquial. Se estivesse lendo, ela diria evidentemente como estaria escrito no jornal: “os óculos”. No entanto, aqui cabe uma observação sobre certas liberdades que a língua escrita vem ganhando em função da língua falada, e a perda do plural na identificação pelo artigo na palavra óculos já é aceita (o óculos); bem como na palavra calças, que nesse caso perde também o seu ‘s’ final (as calças > a calça). Falaremos noutro post sobre essas “liberdades”, que não trazem nenhum prejuízo estético quando bem utilizadas, especialmente em crônicas e na ficção.

Voltando à questão dos recursos visuais aplicados ao texto, pulemos pro último quadrinho, onde o adjetivo composto “estraga-prazeres” aparece inflado, ocupando quase todo o balão pra mostrar que ela está se expressando com veemência. Esse é um dos mais comuns recursos das histórias em quadrinhos, que nesses casos, bem como nas onomatopéias tipo “soc!”, “crás”, “bum!”, sempre tinham as suas letras desenhadas à mão. Atualmente é possível aplicar distorções e diversos outros efeitos visuais sobre qualquer uma das centenas de fontes disponíveis, através dos programas mais utilizados pelos desenhistas como o adobe photoshop!

Mas uma das coisas que eu mais gosto nessa tira está ainda no primeiro quadrinho, e relaciona-se com o contexto cultural/jornalístico no momento em que a produzi. Naqueles dias, além da bizarra venda em leilão dos óculos de John pela cifra de seis milhões de dólares, estavam nos jornais também as notícias sobre as mortes dos geniais cineastas europeus Michelangelo Antonioni e Ingmar Bergman, e tais referências aparecem, pequenininhas, no verso do “Jornal de papel” nas mãos da Poty. Só que na impressão ou na publicação em baixa resolução, na web, esses detalhes podem não aparecer, e nesse caso as referências perderiam sua objetividade, mantendo talvez, uma uma idéia vaga, subjetiva ou, como diria o Calazans, subliminar, uma "homenagem subliminar", diferente das mensagens subliminares agressivamante comerciais ou ideológicas presentes na mídia. O termo “jornal de papel” é uma sutil ironia, uma vez que hoje as notícias são veiculadas mais amplamente pela TV e internet, e a idéia do jornal impresso torna-se cada vez mais uma referência romântica, quase do passado. Outra sutil ironia está na manchete em letras maiúsculas: “O ÓCULOS DE SEIS MILHÕES DE DÓLARES”; mas apenas quem tem mais de 35 anos lembrará com certeza da série de TV protagonizada por Lee Major interpretando um ciborg, nos anos 70, intitulada “O homem de seis milhões de dólares”. Dizem que essas coisas, como as referências a nomes, jargões ou objetos de famosas séries de TV, ficam no imaginário popular mesmo em um nível subconsciente ou subliminar, e isso poderia explicar, por exemplo, o absurdo sucesso do telefone celular flip, modelo que simplesmente imita o comunicador da tripulação da nave Enterprise na maior série de fc da televisão... mas este foi criado nos anos 60, é referência de outras gerações... Quantas pessoas sabem ou lembram disso conscientemente?!

Bom, seja como for, detalhes curiosos sempre enriquecem uma história, mesmo que ela tenha só três quadrinhos! A tirinha que desmontei aqui tem um final clássico, muito comum em HQs curtas e desenhos animados, e isso também é um recurso próprio e sempre atual dessas linguagens. Não sei se em função dos detalhes, do final clássico ou, provavelmente, da reunião de ambos os recursos, essa tira representou um dos maiores sucessos de crítica no flog do Tupinanquim, como comprova até mesmo o número de comentários na postagem original do último quadrinho.

Nas próximas postagens falaremos da liberdade consciente e das “licenças poéticas” nos diálogos, da reforma ortográfica e, é claro, dos palavrões, censura e públicos (des)afinados, temas atualíssimos e importantes depois das polêmicas com alguns livros de quadrinhos e de contos na área da educação. E aguardem, para os próximos dias, uma nova HQ do Tupinanquim, de três páginas, com outro tema talvez ainda mais urgente: a gripe!

27.7.09

Volta às aulas!

A maioria das escolas está reiniciando as aulas nessa semana, portanto uma boa oportunidade pra publicarmos essa tirinha, inédita, que tem como tema o estudo e a língua portuguesa. Essa é a primeira tira que postamos neste blog, primeira de muitas que virão, umas inéditas, outras já publicadas no fotolog ou por aí! Mas esse post é também a estréia de uma série de reflexões que estaremos publicando, em quadrinhos e em texto, acerca de temas bem atuais como a linguagem, a censura [isso mesmo, infelizmente ela está voltando ):], a saúde e o meio ambiente, que interessam a quadrinhistas, professores, amantes das artes e ao público jovem e adulto, em geral! Mas não se preocupem, o Tupinanquim não vai se tornar um personagem exclusivamente didático, e continuará aprontando as suas travessuras aqui pela net e vivendo emocionantes aventuras, que deverão finalmente ser publicadas num gibi impresso, até o fim do ano! [excessaumblog.jpg]

S’s são as regras?! :P

Hoje em dia, é muito comum vermos tiras de quadrinhos em livros didáticos, especialmente de língua portuguesa. Afinal, a "tirinha" é uma das formas mais divertidas de comunicação e expressão que já foram inventadas. Folheando um único livro da sexta série[1], encontrei quadrinhos da Mafalda (a personagem que mais apareceu), Garfield, Calvin, Hagar, Recruta Zero, Bidu, Chiclete com Banana, os gatos do Laerte, Família Brasil do L.F. Veríssimo, O Pato da Ciça, o Mago de Id, de Brant Parker e Jonny Hart, além de cartuns do espanhol Mordillo, diversos outros cartuns do Quino (autor da Mafalda) e uma tira de Luis Agner. Na maioria dos casos eram tirinhas com diálogos simples, e o que se pedia era a análise e interpretação do texto. Isso só pode acontecer, é claro, quando os autores (ou tradutores) escrevem seus diálogos e narrativas corretamente; infelizmente, é muito comum a gente encontrar quadrinhos publicados na internet e até mesmo em algumas revistas com erros ortográficos, especialmente de acentuação e pontuação. Esses errinhos, mesmo não sendo falhas graves, acabam prejudicando não apenas o autor dos quadrinhos, mas a imagem da HQ como esse instrumento genial de comunicação e expressão acessível a todas as classes e idades! Além disso, como autores nós temos certa responsabilidade diante dos leitores; a influência existe, e de tal forma que uma pessoa que escreve corretamente pode se tornar desleixada com a sua redação se a sua leitura trouxer textos desleixados. Nesse aspecto, a minha sugestão aos “escritores” de quadrinhos é que revisem sempre, e procurem tirar as dúvidas, quando houver, em livros ou consultando alguém que conheça melhor a língua; voltarei a escrever sobre esse tema trazendo algumas dicas importantes num próximo post. É que além da questão dos erros, há tantas “boas” curiosidades referentes à linguagem que podem ser encontradas nos quadrinhos, e quero falar um pouco sobre isso...

Assim, com essa tirinha e esse texto, hoje, eu inicio uma nova série de postagens temáticas. Nos próximos dias publicarei outras tiras e cartuns semelhantes, algumas inéditas, como esta, comentando aspectos da linguagem interessantes que podem ser utilizados com ótimos resultados em uma tira ou história em quadrinhos. Nesta tira, por exemplo, você é capaz de reconhecer os elementos da “metalinguagem” presentes em todos os quadrinhos, especialmente no último? Bem, vamos lá: a conversa do Tupinanquim com o leitor é talvez a mais comum forma de metalinguagem utilizada nos quadrinhos de humor. É só lembrar que a turma da Mônica faz isso sempre... Mas observe que o comentário do Tupi faz referência a algo que pode ser observado do primeiro ao último quadrinho: as formas como aparece a palavra “exceção”, com erros nos primeiros quadrinhos, indicam coisas importantes: no primeiro, mostra a confusão do personagem , que não faz idéia de como escrevê-la; no segundo, mostra como a mãe do Tupi “pensa” a ortografia das palavras enquanto explica. E no terceiro quadrinho o Tupi se refere à forma confusa como a palavra apareceu escrita no início, mas essa forma escrita só existe para o leitor, não para o personagem na ficção, que se expressou oralmente. Essa referência ao texto dentro da própria história, mesmo quando aparece de forma sutil, disfarçada, é o que caracteriza a chamada metalinguagem: ou seja, é uma extrapolação, um abuso dos recursos da narrativa dentro da própria ficção que, nesse caso, interage com a realidade. Claro que essa interatividade entre os dois mundos não ficaria bem numa história mais realista ou dramática (salvo geniais exceções como o filme “A rosa do Nilo”), mas os quadrinhos sempre oferecem recursos fantásticos nessa união entre imagem e texto, e cabe a nós utilizá-los ao máximo e, sem medo de desperdiçar inspiração, inventar coisas novas!

Espero comentários sobre a tirinha e também sobre o texto... afinal, preciso saber se existe mesmo um público lendo minhas divagações...

_____________________________________Erick Artmann


[1] Português : linguagens, 6ª série / William Roberto Cereja, Thereza Analia Cochar Magalhães. – São Paulo. Atual, 1998.

24.7.09

Xandro e Tupi

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Pode-se dizer que esse encontro é um “presente encomendado” pelo aniversariante, mas como podem ver, trabalhei cada detalhe com muuuuuuuuuito carinho, desde a concepção da idéia até a gravação do arquivo no formato final a ser apresentado na web, mantendo boa resolução dentro das possibilidades do blog, e do flog onde postei uma versão um pouco diferente. Trabalheira, mas valeu a pena, pois novamente pude ousar algumas técnicas diferentes conforme a cena foi tomando forma.
O Xandro é um personagem de quadrinhos da era da internet que, paradoxalmente, é talvez o mais artesanal de todos que a gente vê por aí! Isso porque o seu autor Alexandro desenha e pinta com canetinhas e lápis de cor, e depois faz a capa com colagens e até grampeia as revistas que vemos no
seu blog e, portanto, existem de verdade, ainda que apenas em seus originais. Eu adorava pintar com lápis de cor e giz de cera, e cheguei a colorir assim alguns desenhos do Tupi, que viraram cartões e adesivos feitos com xerox coloridos no início da divulgação do personagem (1998). Recentemente quis retomar a técnica e comecei um quadro em lápis e giz, era pra um salão, mas não terminei a tempo; então, quando o Xandro (autor) me pediu pra fazer o encontro dos dois moleques, logo que comecei percebi que seria legal manter o estilo do personagem como ele aparece no flog e no blog, assim mais artesanal. Por outro lado, eu não tinha as mesmas canetas que o Alexandro usa, para os contornos por exemplo, e não seria muito natural eu imitar o estilo dele em tudo; então resolvi fazer como sempre faço, contornos no papel e todo o resto no photoshop, e consegui caracterizar mais ou menos o estilo do Xandrinho usando pincéis com texturas que lembram os lápis de cor;

A metalinguagem presente nesse encontro, em que eles saem de seus respectivos gibis, coincide com as propostas de ambos, recheadas dessas referências entre os dois mundos: o Tupi que sempre conversou comigo, autor, e com vocês leitores, ciente de sua condição de personagem da mesma forma que a turma da Mônica nos velhos gibis e em seu primeiro longa metragem animado; e o Xandro, uma versão desenhada e quadrinhística de seu próprio autor! Pra enriquecer o tema e aumentar um pouco o realismo, quis colocar um bolo de verdade, mas no fim um bolo inteiro ocuparia muito espaço e resolvi eu mesmo assar um pedaço da nega maluca no fornoshop, digo photoshop; foto mesmo tirei apenas do pires, com a borda da mesa que se tornou um canto da parateleira. Até gravei algumas etapas do processo, do mesmo modo que fiz com a arte da goiabeira, e se bobear, um dia desses posto por aqui um novo making off ou mesmo tutorial dessa arte.

Por hora é isso, resta saber a opinião de vocês aí... um feliz aniversário ao Xandrinho, e acho que nem preciso dizer que o Tupinanquim adorou esse encontro com o colega...
Vejam a outra versão do desenho no http://fotolog.terra.com.br/tupinanquim10:204 .

20.7.09

no mundo da lua

Hoje, 20 de julho de 2009, comemora-se os 40 anos da chegada do homem à Lua!

Bom, eu sou fascinado pelo tema “viagens espaciais”, tanto na ficção quanto na realidade, e gosto de especular uma razão metafísica/matemática pra esse fato: como eu nasci em março de 1970, fui concebido naquele histórico mês de julho de 1969, provavelmente num momento próximo àquela noite (20/07 – 23h), quando o evento foi transmitido ao vivo por rádio e televisão.


A imagem ao lado foi concebida para ser a capa de uma revista que traria uma HQ da “turma do Amanhã”, ou seja, a turma do Tupinanquim no futuro, fazendo uma viagem a... Marte! Isso mesmo, na minha imaginação, como na de outros tantos escritores, o ser humano já foi bem mais além do que a Lua, viajou a Marte, Júpiter, Saturno, ao décimo planeta, a outros sistemas solares e mesmo galáxias! Não vou falar muito sobre a história porque ela, esboçada se não me engano em 1999, ainda deverá ser concluída e publicada um dia; só posso adiantar que ela reúne, de fato, ciência, ecologia e aventura. A capa, que na mesma época eu já tinha arte-finalizado em nanquim, colori alguns anos depois, por ocasião da viagem espacial do primeiro astronauta brasileiro, Marcos Pontes (março de 2006), quando publicamos a ilustração no fotolog do Tupi.


Sobre a viagem do homem à Lua, algumas pessoas contestam dizendo que não passou de mais uma fraude do governo americano pra ganhar a corrida espacial com a URSS, mas fala sério, né?! Fosse mesmo isso, cientistas e intelectuais do mundo inteiro já teriam se manifestado; até concordo que os bilhões de dólares gastos no projeto Apolo poderiam ter sido mais bem investidos em tecnologias a favor da saúde de nosso próprio planeta! Mas a chegada do homem ao astro que inspirou poemas, beijos e sonhos durante milênios, não deixa de ter também sua poesia, como na imagem da primeira pegada e na frase de Armstrong: “este é um pequeno passo para o homem, mas um passo gigantesco pra humanidade”. Arthur Clarke, na introdução do seu livro 2010: uma odisséia no espaço II, explicando as diferenças entre este e o romance precedente (2001...), enfatiza a data de 20 de julho de 1969 como “uma das Grande Divisões na história humana”, e conclui o parágrafo, escrito em 1982: “Hoje, história e ficção estão inextricavelmente entrelaçadas” (editora Nova Fronteira, segunda edição, 1983, p. 12).

18.7.09

Maurício: meio século de História... em quadrinhos!

Até os 5, quase seis anos de idade, eu morava num lugar chamado Vila Liane. Em frente à nossa casa, que era de madeira, tinha um campinho onde empinávamos pipa; os quintais tinham árvores frutíferas, a rua era uma ladeira que descíamos de carrinho de rolimã, e no verão era comum andarmos com os pés descalços! Ou seja, eu vivi um pouquinho nesse universo, nos anos 70, muito parecido com o bairro do limoeiro retratado desde antes daquela época e, com poucas mudanças importantes, até hoje nas revistas da turma da Mônica. Minha irmã mais velha ganhava sempre, do meu tio Ludovico, gibis novos da Mônica e do Cebolinha, e eu, que ainda não sabia ler, adivinhava as histórias (algumas minhas irmãs liam pra mim). Minha irmã guardou os gibis e fui reencontrá-los depois que já estava na escola e morava mais perto do centro; entre aquelas relíquias, estava a revista Cebolinha número 2, da ed. Abril, e mais tarde cheguei a comprar uma reedição da número 1.

As histórias daqueles primeiros gibis do Cebolinha, de que me lembro bem e que eu mais gostava, eram duas da dupla Cebolinha e Cascão: uma em que o Cebolinha tinha feito um avião de madeira (mas que se não me engano era azul?!) que de repente voava de verdade, e outra análoga, sobre um carrinho de madeira onde um ia dentro e o outro empurrava, até encontrarem uma ladeira e perderem o controle ou algo assim... Há muitos anos não temos mais esses gibis (acho que eu e meu irmão devolvemos pra dona apenas as Mônica (que ela deve ter até hoje) e, por fim, extraviamos os Cebolinha [:S].

Mas o estrago já estava feito... rs. Como todo mundo li muito gibi da Disney, mas recebi outras influências como os livrinhos que reuniam as tiras da Mafalda, do Garfield e do Angeli/Chiclete com Banana (antes da revista bimestral ser lançada). Aos 10 anos comecei a acompanhar os gibis de super-heróis da DC, depois Conan, os quadrinhos eróticos da Grafipar; aos 17 produzi meu primeiro fanzine de quadrinhos, num gênero bastante rebelde, depois escrevi e desenhei vários gêneros, inclusive super-heróis. Mas fui me encontrar realmente no mundo dos quadrinhos quando, alguns anos depois de me tornar pai e aprender mais um monte de coisas com o meu filho mais velho, voltei à infância, à inocência dos quatro, cinco anos, e finalmente, reassumida minha primeira paixão literária que eram as histórias em quadrinhos do Mauricio de Sousa, surgiu o Tupinanquim, inspirado em meu filho Mozart em 1994, então com 4 anos e a exemplo da história do próprio pai/criador das Mônicas filha e personagem!

Oficialmente, o Tupinanquim nasceu em 1998, quando apareceu pela primeira vez numa exposição e também num jornal impresso, já basicamente com as mesmas características que tem hoje; o traço, é claro, evoluiu um pouco de lá pra cá: sempre gostei de um estilo um pouco mais realista tanto em quadrinhos como em desenhos animados e isso se reflete na orientação do meu desenho, que nunca foi meu grande talento (sempre gostei mais de imaginar e escrever.. rs). As cores trabalhadas artisticamente, primeiro com tinta acrílica e, já nesse século, através do computador, também caracterizam as ilustrações, cartuns e HQs do Tupi, que apesar disso não teve ainda um gibi impresso colorido. Feitas essas apresentações, talvez fique mais fácil, especialmente a quem pouco conhece o Tupi, entender a ilustração que produzi para homenagear o “rei” da história em quadrinhos brasileira, onde os principais personagens de cada autor aparecem com seus estilos de desenho trocados.

Mas o importante disso tudo é lembrar que, apesar das diferenças, o conjunto da obra desenvolvida nesses 50 anos pelo genial Maurício de Sousa me inspirou e continua inspirando até hoje. Sim, tenho críticas, desde os anos 80 quando o estúdio cresceu muito e diferentes roteiristas assumiram, as coisas mudaram e, hoje, há um multiverso dentro da empresa Mauricio de Sousa Produções, com suas qualidades e defeitos em todas as suas galáxias, inclusive na badalada revista Turma da Mônica Jovem! Mas hoje é dia de comemorar, não de polemizar, e o fato do Maurício e suas idéias, equipes, produções terem chegado onde estão, tornando-se uma das grandes empresas voltadas ao entretenimento infanto-juvenil no mundo, não é de forma nenhum razão para crítica, e sim para orgulho e celebração. Afinal, se a copa do mundo é nossa (?!), a Turma da Mônica, quiçá esteja em pouco tempo pau a pau com o licenciamento dos produtos Disney mundo afora, também é nossa, paulista, brazuca e, sem trocadilhos, tupiniquim!

Erickson Artmann

ps: vejam mais artes de vários autores, homenageando o Mauricio, através do blog criado com esse fim pelo quadrinhista Wesley: http://mauriciodesousa.wordpress.com/

10.7.09

o dia em q a terra parou...

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Foi uma bonita homenagem ontem, na televisão... um verdadeiro show, e tiraria meu chapéu (se estivesse usando um) para os produtores. Achei um pouco esquisito que esse show era um velório, de um cara que já morreu há duas semanas, e o mundo meio que parou pra falar dele. Achei legal que não houve muitos desastres importantes nestas duas semanas, parece que as guerras, crimes, acidentes, festas, greves, tudo enfim ficou menos grave. Bom, pelo menos essas coisas pareceram menos graves na televisão, que falou mais no falecido Michael Jackson do que em qualquer outra coisa.

Mas tá, ele era o rei do pop, e rei é rei... Eu pessoalmente gosto mais do Raulzito. Ou do John Lennon, se for pra falar num que cantava em inglês e também foi rei (do ieieiê?!)! Esquisita também essa monarquia no mundo da música. Será que Michael Jackson era parente do Elvis, que era o rei do rock (ou do tchatchatchá, segundo algumas versões... ). Falando nisso, o outro rei , mas esse da jovem guarda e da música romântica brasileira, acabou ficando meio de lado ... afinal, ele ta comemorando 50 anos de carreira e a morte do rei do pop diminuiu seu brilho...

Agora, fala sério. Nunca entendi realmente qual era a do Michael Jackson! Enquanto aqui nos trópicos o povo inveja a pele cor de chocolate e quem é branco fica tomando sol, se bronzeando até com lâmpadas, para pegar uma corzinha melhor, ele fez o contrário: mudou de preto pra branco e ainda reformou o próprio rosto pra tentar afinar o nariz e os lábios, deixar o queixo quadrado... ou seja, negou a própria cor num país onde os negros lutam há séculos por maior igualdade e respeito (e vêm conquistando). Nesse ponto, achei meio estranha a mensagem do Nelson Mandela e a presença dos filhos de Martin Luther King no velório; mas aí disseram que Michael foi o autor da letra da música “uí arde uôrde”, feita pra ajudar os famintos da África nos anos 80, e entendi as homenagens. Mas enfim... o cara foi enterrado (ah, acho q enm foi ainda, né?!), as gravadoras e toda a mídia que falar sobre ele ainda vai continuar lucrando algum... e seguindo essa idéia, até eu to postando aqui minha hq, opinião e homenagem (ainda que não seja assim tão puxa-saco como o resto do mundo)... pra tentar pegar uma caroninha nessa popularidade do falecido, hehehe. Pelo menos, ninguém pode dizer que isso seja humor negro. Desbotado, talvez.

Segue em paz, Jackson’s boy. Na verdade, eu gosto daquelas fotos antigas em que você tinha aquele cabelinho black power... se eu pudesse influenciar o desenhista das minhas histórias, faria o meu colega Zumbi com o cabelo bem naquele estilo... ;)


Tupinanquim

17.6.09

O AMOR É FILME! HQ para românticos e cinéfilos...



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Página fresquinha (clique sobre ela pra ampliar), bolada e desenhada precisamente no último 12 de junho, dia dos namorados, e postada incialmente no flog do Tupi no dia 13, em duas partes. Com esta HQ, retomamos também as postagens neste blog, que estava “em férias” desde o lançamento do livro “Desenhos de linguagem”, tema do último post.
Emprestamos o título da HQ de uma música da banda Cordel do Fogo Encantado; a frase do Tupi em castelhano é na verdade uma paráfrase da mais famosa máxima revolucionária da América Latina, do carismático guerrilheiro e hoje também personagem do cinema, Ernesto Che Guevara (no original: “hay que endurecer-se, pero sin perder la ternura jamás!”). Os filmes citados dispensam apresentações, né... afinal são os grandes sucessos das salas de exibição neste momento, o blockbuster Exterminador do futuro: a salvação, sobre o qual até eu já publiquei minha crítica no blog erê catu! e o último grande sucesso do cinema nacional, A mulher invisível, com Selton Mello e Luana Piovani, sobre o qual também vou escrever logo.
Nas próximas semanas estaremos publicando mais quadrinhos, inéditos, algumas discussões sobre arte, educação e ecologia, mas sempre relacionadas ao mundo dos quadrinhos, e muitas novidades sobre o universo do curumim urbano, como a retomada do projeto do gibi periódico, que terá aventuras de tirar o fôlego!
Erê curi (até logo)!

24.12.08

O Tupinanquim no universo da poesia


O livro Desenhos de Linguagem, lançado na semana passada no Teatro Ópera, em Ponta Grossa, reúne especialmente os poemas curtos que escrevi entre 2001 e 2005, quando fazia o curso de Letras na UEPG e, em parte desse período, participava de um grupo de poetas que se reunia para beber poesia, ler e declamar vinho à luz de velas em alguma sala nas proximidades do campus central. Nesse período eu tinha acabado de devorar a obra completa de Manuel Bandeira, e então, estimulado pelo curso e pelos amigos que eu sempre encontrava com um livro de poesia na mão, devorei também Leminski, Pessoa, conheci Ana Cristina César e Florbela Espanca, e redescobri a poesia musical de Arnaldo Antunes de quem já era fã desde o Cabeça Dinossauro dos Titãs de 1986. De anos anteriores também veio a influência de amigos como o Zé Chemin, que escrevia seus haicais nas pequenas pedras encontradas em seus caminhos; e assim, estimulado ainda pela maior intimidade com a língua portuguesa desenvolvida no curso de letras, nas aulas da professora Marcia Zan e do Robison (era ele quem levava as músicas do Arnaldo), de repente meus cadernos começaram a se encher de trocadilhos, que eram na verdade aliterações, paranomásias e anagramas, e mais do que isso eram poemas, curtos e gratificantes em suas formas finais, que me levaram a perceber que eram também desenhos!

“Curtas e gratas” reúne estes poemas visuais e chegou a compor, em princípio, uma parte de um outro livro que reuniria meus poemas desde a infância, e que permanece inédito. Depois virou projeto de livro com esse nome, e por fim tornou-se a primeira parte do livro Desenhos de Linguagem, que reúne ainda poemas mais longos do mesmo período e com a mesma característica de brincar com a língua portuguesa, os “desenhos de linguagem” propriamente ditos e assim nomeados na segunda parte do livro. “Poemas à margem”, a terceira parte, reúne alguns poemas de períodos distintos que, de uma forma ou outra, referem-se ao universo do poeta (e do artista em geral) marginalizado, mas mantendo o humor, as aliterações tão características da obra toda, e valorizando sempre a esperança e as sensações em relação à natureza.

O Tupinanquim ilustra o livro com uma seleção dentre as dezenas de ilustrações que eu teria disponíveis: são algumas das mais poéticas imagens que compus protagonizadas pelo curumim urbano, e todas estão relacionadas, de forma direta ou indireta, aos poemas escritos.

É um ótimo presente pra dar a quem se ama (inclusive você mesmo)! O livro, em caráter promocional de lançamento, custa 15 reais e pode ser adquirido, em Ponta Grossa, nas livrarias Verbo, Makro e Universo da Leitura. Também pode ser adquirido via correios, em qualquer parte do Brasil. Pra pedir o seu mande e-mail para erick.artmann@gmail.com .

Desenhos de linguagem tem 64 páginas em papel branco de 90 gramas ou papel reciclado de 80 gramas, com 40 poemas e 10 ilustrações coloridas do autor; capa colorida com prefácio de orelha em papel supremo 240 gramas, miolo costurado artesanalmente.


Esta primeira edição teve seu miolo impresso em laser com a ajuda da Suprimax cartuchos & Toners. A capa foi impressa na Gráfica Planeta com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Ponta Grossa, e a edição conta ainda com o apoio logístico da Verbo Livraria, Makro Livraria e Papelaria, Degradê Informática e Mian Armarinhos e Presentes. Cada exemplar foi confeccionado artesanalmente pelo autor.