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7.7.14

pensando na dor

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O Tupinanquim ficou assim, tristinho, depois de ver a notícia sobre a queda do viaduto em Belo Horizonte, que ocorreu na quinta feira, 3 de julho, um dia antes do jogo entre Brasil X Colômbia pelas quartas de final da copa 2014. Terminei de desenhar a tira e postei no facebook uma hora antes do jogo, na sexta, meio triste tal como o Tupi, envolvido pelo tema dos quadrinhos, mas sem deixar de torcer pela seleção. Aí ganhamos, né, mas infelizmente com uma baixa no time, depois da falta do jogador colombiano Zúñiga sobre o nosso camisa 10 Neymar, que teve fratura numa das vértebras. Nada comparado à tristeza das famílias das duas vítimas fatais do acidente em BH, nem dos que perdem com as enchentes no Sul (que serão tema de uma futura HQ do Tupi). Mas a mensagem que queremos deixar, e repetiremos através da ficção e da forma que for viável, é essa reflexão de pai e filho no segundo quadrinho: a vida de um país é bem mais que futebol... e tendo isso em mente, torcer pelo time, pela seleção do país, é sempre saudável pois o esporte é um espetáculo por excelência. 
Essa tirinha retoma uma cronologia um pouco mais realista do universo do tupinanquim, dando uma pausa nas brincadeiras com os personagens representando os confrontos entre Brasil e outros países. Eu até ia fazer uma tirinha sobre o jogo com a Colômbia usando o personagem  Copetin, do colombiano Ernesto Franco, porém tive outro compromisso todo o fim de semana e como o jogo contra a Alemanha na semi-final já é amanhã, ficou meio complicado. Mas acompanhe esse blog e também a página do Tupi no face, porque a copa do mundo não vai acabar tão facilmente pra esse indiozinho aficcionado... e nem pra seleção brasileira! Vamos em frente!


17.2.11

Tupinanquim e o ECA

Aproveitando esse período de início das aulas na maior parte das escolas, vou divulgar aqui mais um dos gibis educativos que produzi, na verdade o primeiro com o Tupinanquim, anterior ao gibi sobre os arroios e a um outro sobre o Estatuto do Idoso (que ainda permanece inédito). Antes desse, porém, eu já tinha feito uma HQ educativa com a Princesinha dos Campos Gerais!
Esta revista em quadrinhos foi publicada em março de 2004, produzida por solicitação da Secretaria Municipal de Assistência Social de Ponta Grossa e Fundação Proamor.
Diferente das já habituais "cartilhas" ou mesmo quadrinhos didáticos, optei por narrar uma pequena aventura em quadrinhos, de 12 páginas, com toda a turma do curumim urbanóide e a participação especial da Princesinha dos Campos Gerais, personagem que eu tinha criado especialmente para
falar às crianças sobre as questões do município de Ponta Grossa e portanto não faz parte da turma do Tupi, moradores da cidade fictícia de Itaquessaba!
O principal conflito da HQ resume-se na ameaça, por parte de alguns garotos mais velhos e sacanas, ao direito da turminha de reunir-se embaixo de um imenso jacarandá. Este problema de assédio moral entre crianças, que atualmente é conhecido pelo termo de língua inglesa "bullying", serve de pretexto para a apresentação do estatuto, que vinha sendo estudado pela Princesinha, e para uma curiosa reflexão sobre questões sociais e os direitos dos pequenos cidadãos brasileiros.
A revista, com a HQ em preto e branco, teve tiragem de 30 mil cópias e distribuição gratuita dentro dos programas sociais do município. Em contrato, garanti o direito autoral sobre a HQ, prevendo inclusive a possibilidade de republicá-la, e poderei fazer isso até mesmo num futuro gibi não necessariamente didático, e, quiçá, colorido!
Vou apresentar os personagens da turminha que aparecem na capa: Da esquerda para a
direita, mais atrás estão o Zumbi, a Princesinha, Beta e Wolfgang; à esquerda um pouco mais à frente está o Félix, e por fim o Tupi e sua maninha Potiquitã. Na HQ aparecem outros personagens como o Arenito, a professora da Poty e , especialmente, os "troglossauros" Lauro e Tumba, os mesmos que assediam nossos heróis na HQ Craques da década, que foi publicada online aqui no blog durante a copa do mundo em 2010. Sobre esta questão do "bullying", muito discutida pelos meios de comunicação atualmente, a aventura mostra no final que os autores dessa prática também tem assegurado o seu direito à orientação/educação acerca do convívio social; e a turma do Tupi, com sua diversidade étnica, social e cultural, apresenta nessa HQ importantes exemplos de cidadania.
Obs: A colorização desta capa foi feita pelo artista gráfico e também quadrinhista Israel Moletta.

Veja também o post sobre a edição Tupinanquim e os arroios urbanos de Ponta Grossa!

21.12.10

o eclipse


Erê, amigos. Agora que estou de férias na escola, volto a postar algumas tirinhas e hqs curtas aqui no Tupifanzim, que ficou meio abandonado nos últimos meses. Mas nesse tempo a vida prosseguiu aqui em Itaquessaba; eu, a Poty e toda a turma vivemos algumas aventuras divertidas, e em 2011 elas deverão chegar até vocês... seja pela internet ou numa revista impressa; e assim os nossos sonhos serão... digamos.. ficção de verdade! ao menos nos quadrinhos tupiniquins que ganham força a cada balão de pensamento!

um bom verão, boas férias ou feriados a todos e acompanhem as nossas novidades!

Tupinanquim!

31.7.09

A exploração das fontes e os detalhes quase subliminares

Essa tirinha é de 2007, e tinha sido publicada quadro a quadro no flog do Tupi, onde eu apenas havia mencionado a existência de alguns detalhes e recursos de linguagem, sem identificá-los, com a promessa de comentar detalhadamente em outro post... que é esse, dois anos depois... rs.

Bom, a primeira coisa que podemos observar no texto é uma mudança nas fontes, logo no primeiro balão. Bem característico dos quadrinhos e da publicidade, esse é um recurso mais visual do que textual. A Poty lê, ou finge que está lendo, e o texto que estaria no jornal é apresentado em fonte arial, tipográfica e comum a jornais impressos, ainda que, na cena, o que o texto representa imediatamente é a fala, e não a escrita.

Outro detalhe importante neste primeiro balão é a grafia: é claro que “ex-bítou Djôm Lênom” é uma representação incorreta, porém mais próxima da pronúncia de acordo com a fonética da língua portuguesa. Nos quadrinhos atuais a Potiquitã está no início de sua fase de alfabetização, como fica claro na sequência da tira, e assim ela não está de fato lendo; então eu representei as palavras como ela imagina que seriam escritas ou, simplesmente, como ela as pronuncia, pois não existe pra ela, ainda, a representação escrita e da língua inglesa, tão diversa da nossa na associação com os sons. Se ela estivesse lendo, provavelmente pronunciaria literalmente be-a-tle ao invés de beatle=‘bítou’. Da mesma forma, ela fala “o óculos”, como já é comum na nossa linguagem coloquial. Se estivesse lendo, ela diria evidentemente como estaria escrito no jornal: “os óculos”. No entanto, aqui cabe uma observação sobre certas liberdades que a língua escrita vem ganhando em função da língua falada, e a perda do plural na identificação pelo artigo na palavra óculos já é aceita (o óculos); bem como na palavra calças, que nesse caso perde também o seu ‘s’ final (as calças > a calça). Falaremos noutro post sobre essas “liberdades”, que não trazem nenhum prejuízo estético quando bem utilizadas, especialmente em crônicas e na ficção.

Voltando à questão dos recursos visuais aplicados ao texto, pulemos pro último quadrinho, onde o adjetivo composto “estraga-prazeres” aparece inflado, ocupando quase todo o balão pra mostrar que ela está se expressando com veemência. Esse é um dos mais comuns recursos das histórias em quadrinhos, que nesses casos, bem como nas onomatopéias tipo “soc!”, “crás”, “bum!”, sempre tinham as suas letras desenhadas à mão. Atualmente é possível aplicar distorções e diversos outros efeitos visuais sobre qualquer uma das centenas de fontes disponíveis, através dos programas mais utilizados pelos desenhistas como o adobe photoshop!

Mas uma das coisas que eu mais gosto nessa tira está ainda no primeiro quadrinho, e relaciona-se com o contexto cultural/jornalístico no momento em que a produzi. Naqueles dias, além da bizarra venda em leilão dos óculos de John pela cifra de seis milhões de dólares, estavam nos jornais também as notícias sobre as mortes dos geniais cineastas europeus Michelangelo Antonioni e Ingmar Bergman, e tais referências aparecem, pequenininhas, no verso do “Jornal de papel” nas mãos da Poty. Só que na impressão ou na publicação em baixa resolução, na web, esses detalhes podem não aparecer, e nesse caso as referências perderiam sua objetividade, mantendo talvez, uma uma idéia vaga, subjetiva ou, como diria o Calazans, subliminar, uma "homenagem subliminar", diferente das mensagens subliminares agressivamante comerciais ou ideológicas presentes na mídia. O termo “jornal de papel” é uma sutil ironia, uma vez que hoje as notícias são veiculadas mais amplamente pela TV e internet, e a idéia do jornal impresso torna-se cada vez mais uma referência romântica, quase do passado. Outra sutil ironia está na manchete em letras maiúsculas: “O ÓCULOS DE SEIS MILHÕES DE DÓLARES”; mas apenas quem tem mais de 35 anos lembrará com certeza da série de TV protagonizada por Lee Major interpretando um ciborg, nos anos 70, intitulada “O homem de seis milhões de dólares”. Dizem que essas coisas, como as referências a nomes, jargões ou objetos de famosas séries de TV, ficam no imaginário popular mesmo em um nível subconsciente ou subliminar, e isso poderia explicar, por exemplo, o absurdo sucesso do telefone celular flip, modelo que simplesmente imita o comunicador da tripulação da nave Enterprise na maior série de fc da televisão... mas este foi criado nos anos 60, é referência de outras gerações... Quantas pessoas sabem ou lembram disso conscientemente?!

Bom, seja como for, detalhes curiosos sempre enriquecem uma história, mesmo que ela tenha só três quadrinhos! A tirinha que desmontei aqui tem um final clássico, muito comum em HQs curtas e desenhos animados, e isso também é um recurso próprio e sempre atual dessas linguagens. Não sei se em função dos detalhes, do final clássico ou, provavelmente, da reunião de ambos os recursos, essa tira representou um dos maiores sucessos de crítica no flog do Tupinanquim, como comprova até mesmo o número de comentários na postagem original do último quadrinho.

Nas próximas postagens falaremos da liberdade consciente e das “licenças poéticas” nos diálogos, da reforma ortográfica e, é claro, dos palavrões, censura e públicos (des)afinados, temas atualíssimos e importantes depois das polêmicas com alguns livros de quadrinhos e de contos na área da educação. E aguardem, para os próximos dias, uma nova HQ do Tupinanquim, de três páginas, com outro tema talvez ainda mais urgente: a gripe!

27.7.09

Volta às aulas!

A maioria das escolas está reiniciando as aulas nessa semana, portanto uma boa oportunidade pra publicarmos essa tirinha, inédita, que tem como tema o estudo e a língua portuguesa. Essa é a primeira tira que postamos neste blog, primeira de muitas que virão, umas inéditas, outras já publicadas no fotolog ou por aí! Mas esse post é também a estréia de uma série de reflexões que estaremos publicando, em quadrinhos e em texto, acerca de temas bem atuais como a linguagem, a censura [isso mesmo, infelizmente ela está voltando ):], a saúde e o meio ambiente, que interessam a quadrinhistas, professores, amantes das artes e ao público jovem e adulto, em geral! Mas não se preocupem, o Tupinanquim não vai se tornar um personagem exclusivamente didático, e continuará aprontando as suas travessuras aqui pela net e vivendo emocionantes aventuras, que deverão finalmente ser publicadas num gibi impresso, até o fim do ano! [excessaumblog.jpg]

S’s são as regras?! :P

Hoje em dia, é muito comum vermos tiras de quadrinhos em livros didáticos, especialmente de língua portuguesa. Afinal, a "tirinha" é uma das formas mais divertidas de comunicação e expressão que já foram inventadas. Folheando um único livro da sexta série[1], encontrei quadrinhos da Mafalda (a personagem que mais apareceu), Garfield, Calvin, Hagar, Recruta Zero, Bidu, Chiclete com Banana, os gatos do Laerte, Família Brasil do L.F. Veríssimo, O Pato da Ciça, o Mago de Id, de Brant Parker e Jonny Hart, além de cartuns do espanhol Mordillo, diversos outros cartuns do Quino (autor da Mafalda) e uma tira de Luis Agner. Na maioria dos casos eram tirinhas com diálogos simples, e o que se pedia era a análise e interpretação do texto. Isso só pode acontecer, é claro, quando os autores (ou tradutores) escrevem seus diálogos e narrativas corretamente; infelizmente, é muito comum a gente encontrar quadrinhos publicados na internet e até mesmo em algumas revistas com erros ortográficos, especialmente de acentuação e pontuação. Esses errinhos, mesmo não sendo falhas graves, acabam prejudicando não apenas o autor dos quadrinhos, mas a imagem da HQ como esse instrumento genial de comunicação e expressão acessível a todas as classes e idades! Além disso, como autores nós temos certa responsabilidade diante dos leitores; a influência existe, e de tal forma que uma pessoa que escreve corretamente pode se tornar desleixada com a sua redação se a sua leitura trouxer textos desleixados. Nesse aspecto, a minha sugestão aos “escritores” de quadrinhos é que revisem sempre, e procurem tirar as dúvidas, quando houver, em livros ou consultando alguém que conheça melhor a língua; voltarei a escrever sobre esse tema trazendo algumas dicas importantes num próximo post. É que além da questão dos erros, há tantas “boas” curiosidades referentes à linguagem que podem ser encontradas nos quadrinhos, e quero falar um pouco sobre isso...

Assim, com essa tirinha e esse texto, hoje, eu inicio uma nova série de postagens temáticas. Nos próximos dias publicarei outras tiras e cartuns semelhantes, algumas inéditas, como esta, comentando aspectos da linguagem interessantes que podem ser utilizados com ótimos resultados em uma tira ou história em quadrinhos. Nesta tira, por exemplo, você é capaz de reconhecer os elementos da “metalinguagem” presentes em todos os quadrinhos, especialmente no último? Bem, vamos lá: a conversa do Tupinanquim com o leitor é talvez a mais comum forma de metalinguagem utilizada nos quadrinhos de humor. É só lembrar que a turma da Mônica faz isso sempre... Mas observe que o comentário do Tupi faz referência a algo que pode ser observado do primeiro ao último quadrinho: as formas como aparece a palavra “exceção”, com erros nos primeiros quadrinhos, indicam coisas importantes: no primeiro, mostra a confusão do personagem , que não faz idéia de como escrevê-la; no segundo, mostra como a mãe do Tupi “pensa” a ortografia das palavras enquanto explica. E no terceiro quadrinho o Tupi se refere à forma confusa como a palavra apareceu escrita no início, mas essa forma escrita só existe para o leitor, não para o personagem na ficção, que se expressou oralmente. Essa referência ao texto dentro da própria história, mesmo quando aparece de forma sutil, disfarçada, é o que caracteriza a chamada metalinguagem: ou seja, é uma extrapolação, um abuso dos recursos da narrativa dentro da própria ficção que, nesse caso, interage com a realidade. Claro que essa interatividade entre os dois mundos não ficaria bem numa história mais realista ou dramática (salvo geniais exceções como o filme “A rosa do Nilo”), mas os quadrinhos sempre oferecem recursos fantásticos nessa união entre imagem e texto, e cabe a nós utilizá-los ao máximo e, sem medo de desperdiçar inspiração, inventar coisas novas!

Espero comentários sobre a tirinha e também sobre o texto... afinal, preciso saber se existe mesmo um público lendo minhas divagações...

_____________________________________Erick Artmann


[1] Português : linguagens, 6ª série / William Roberto Cereja, Thereza Analia Cochar Magalhães. – São Paulo. Atual, 1998.