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31.1.12

TUPI e NHÔ QUIM


As aventuras de "Nhô Quim" ou Impressões de uma viagem à corte foi a primeira história em quadrinhos publicada no Brasil, a partir do dia 30 de janeiro de 1869 no jornal Vida Fluminense, de autoria de Angelo Agostini. É com certeza uma das primeiras histórias em quadrinhos do mundo, pioneiríssima num estilo de narrativa e arte sequencial bem diagramada que seria adotada, duas décadas mais tarde, pelo francês Georges Colomb em A familia Fenouillard. Contudo, nem Agostini nem Colomb são considerados inventores dos quadrinhos ou bande dessinée, porque o inventor dos comics seria o americano Richard Outcault que introduziu onomatopéias, textos misturados aos desenhos e logo depois os balões. Mas como falamos em "história em quadrinhos", observando o estilo do italiano enraizado no Brasil Angelo Agostini percebemos que era, literalmente, o que ele fazia; confira, com boa resolução, a página de Nhô Quim publicada no blog quadrinho.com.  
O Dia do quadrinho nacional, ou brasileiro, como eu acho que soa melhor, foi comemorado pela primeira vez, homenageando Agostini, pela Associação de Quadrinhistas e Cartunistas de São Paulo em 1984, e mais tarde adotado oficialmente nos calendários de eventos culturais do país. 
Meu cartum acima, assim como o texto, tá saindo atrasado pra variar... rs; e atrasaria mais ainda se eu levasse a cabo a hq completa, que priemeiro seria uma tira e acabou virando um esboço de uma página de seis quadrinhos... e vai ficar pro ano que vem! A idéia do encontro do Tupi com o personagem homenageado segue a linha que adotamos desde o fotolog, há seis anos, quando o curumim sempre se encontra com o outro herói ou vilão, muitas vezes usando metalinguagens típicas dos quadrinhos e/ou elementos/estilos do outro. Nesse caso, aboli os balões usando as legendas como Agostini fazia, e dei uma "envelhecida" na arte final pra contextualizar a arte com o personagem do século 19. Aguardo impressões! Abraços aos colegas quadrinhistas, e a todos que, lendo, compartilhando, comprando e discutindo, ajudam a disseminar a nossa arte!
Erickson
pesquisa: Quadrinho.com em http://www.quadrinho.com/diadoquadrinho/?p=173 ;
Ianone, Leila Rentroia. O mundo das histórias em quadrinhos. São Paulo: Moderna, 1994

18.5.10

a cunhantã e seu xerimbabo

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg3iC0JsGpgcV1NQdM912vqlkX89FA_9QJdUl4D-CvfAotnLVfEdWmyAtUoWIKxfbMyMybELiL-MeLYmv1CW1w_HGuiF_hJ0za7vYJyajh-pZMgYnpCdpj7nq_Zhu0UpKjOFLuIbQ/s1600/pucaxecor2.jpg

Essa é a Potiquitã, irmãzinha do Tupinanquim. Como sabem, o Tupi é um "curumim urbano", menino índio que mora na cidade e preserva a cultura de seu povo; o mesmo, é claro, acontece com a Poty, só que menina índia é cunhantã (ou 'cunhatã', porque a língua Tupi ainda não tem uma ortografia unificada, nem mesmo uma gramática única/oficial, já que são muitas sublínguas provenientes do mesmo tronco). Optei por "cunhantã" porque vem da junção de duas palavras: cunhã (mulher) e tã ou têm (pequeno, jovem), logo, o ‘ã’ anasalado escreve-se em português “an” no meio da palavra precedendo a letra ‘t’: cunhantã! Então a Poty é a cunhantã urbana e logo apresentaremos as outras características e qualidades da personagem; mas já vou adiantar duas delas: além de adorar os animais, ela ama o futebol!!!

Mas hoje, já que comecei a falar na ortografia, vou explanar mais algumas coisas acerca dos nomes que derivam das línguas tupi (nheengatu e/ou tupi-guarani): o nome Potiquitã significa “botão de flor”, registrado como potykytã pelo dicionário do Luiz Caldas Tibiriçá[1]. Em 1998 adotei o nome com a ortografia das letras então oficiais, i ao invés de y e qui ao invés de ky, porque na época y e k estavam fora do nosso alfabeto; mas também porque já tinha criado o personagem principal com o nome em português Tupinanquim (fazendo o trocadilho do nome da antiga nação tupiniquim/tupinãky com a tinta que usávamos pra desenhar até o final do século passado... rs). No entanto, para a abreviatura do nome Poti/ significando 'flor', que já é uma abreviatura de potyra, todos os dicionários consultados só registravam poty com y, o que também significa 'camarão'; mas a merda foi ver que Tibiriçá registra poti com i como 'fezes' (?!), e embora outros dicionários não confirmem essa tradução, o detalhe gerou um paradoxo, e assim, desde as primeiras HQs da Poty optei por Potiquitã, quando por extenso, e Poty, como abreviatura ou apelido.

No ano passado tivemos a reforma ortográfica, que readmitiu as letras K, W e Y especialmente para o uso em nomes e em termos de origem estrangeira ou indígena; logo poderíamos adotar um nome como Potykytã sem precisar utilizar o itálico e sem parecer tão estranho para um personagem brasileiro; mas de qualquer forma ficaria diferente do Tupinanquim e, como já são alguns anos de divulgação (ainda que modesta) com essa ortografia, por enquanto manteremos Potiquitã e Poty. É claro que, até o lançamento de uma revista de grande tiragem poderei reavaliar a questão, que fica aberta a opiniões!

E finalmente, vamos ao bichinho de estimação da Poty, o cachorro Pucaxé: sobre o nome, baseei-me no dicionário do Gonçalves Dias [2], que registra pucá xoer = risonho! Logo, pucá xoér > Pucaxé! E ponto final. ... Ou será que podia ser Pucaxó?!!! Rs.

E o porquê de uma menina índia ter como xerimbabo (bichinho de estimação) um cão e não um animalzinho nativo, como um jabuti, papagaio, jaguatirica ou mico como a Tainá?! Porque, como já dissemos, ela é uma cunhantã urbana, e tem acesso às mesmas coisas que todas as crianças da cidade têm. Da mesma forma, o animal de estimação do Tupinanquim é um gatinho, o Nanquim, e ambos, Pucaxé e Nanquim, terão papéis importantes nas aventuras dos nossos jovens heróis tupiniquins!

Até a próxima!


[1] Tibiriçá, Luiz Caldas. Dicionário tupi-português – com esboço de gramática de tupi antigo. 2ª ed. – São Paulo: Traço editora, 1984.

[2] Dias, gonçalves. Dicionário da língua tupi – chamada língua geral dos indígenas do Brasil. Rio de janeiro: Livraria São José,1970 (fac-símile da edição alemã Leipzig, F. A. Brochaus, 1858...)

31.7.09

A exploração das fontes e os detalhes quase subliminares

Essa tirinha é de 2007, e tinha sido publicada quadro a quadro no flog do Tupi, onde eu apenas havia mencionado a existência de alguns detalhes e recursos de linguagem, sem identificá-los, com a promessa de comentar detalhadamente em outro post... que é esse, dois anos depois... rs.

Bom, a primeira coisa que podemos observar no texto é uma mudança nas fontes, logo no primeiro balão. Bem característico dos quadrinhos e da publicidade, esse é um recurso mais visual do que textual. A Poty lê, ou finge que está lendo, e o texto que estaria no jornal é apresentado em fonte arial, tipográfica e comum a jornais impressos, ainda que, na cena, o que o texto representa imediatamente é a fala, e não a escrita.

Outro detalhe importante neste primeiro balão é a grafia: é claro que “ex-bítou Djôm Lênom” é uma representação incorreta, porém mais próxima da pronúncia de acordo com a fonética da língua portuguesa. Nos quadrinhos atuais a Potiquitã está no início de sua fase de alfabetização, como fica claro na sequência da tira, e assim ela não está de fato lendo; então eu representei as palavras como ela imagina que seriam escritas ou, simplesmente, como ela as pronuncia, pois não existe pra ela, ainda, a representação escrita e da língua inglesa, tão diversa da nossa na associação com os sons. Se ela estivesse lendo, provavelmente pronunciaria literalmente be-a-tle ao invés de beatle=‘bítou’. Da mesma forma, ela fala “o óculos”, como já é comum na nossa linguagem coloquial. Se estivesse lendo, ela diria evidentemente como estaria escrito no jornal: “os óculos”. No entanto, aqui cabe uma observação sobre certas liberdades que a língua escrita vem ganhando em função da língua falada, e a perda do plural na identificação pelo artigo na palavra óculos já é aceita (o óculos); bem como na palavra calças, que nesse caso perde também o seu ‘s’ final (as calças > a calça). Falaremos noutro post sobre essas “liberdades”, que não trazem nenhum prejuízo estético quando bem utilizadas, especialmente em crônicas e na ficção.

Voltando à questão dos recursos visuais aplicados ao texto, pulemos pro último quadrinho, onde o adjetivo composto “estraga-prazeres” aparece inflado, ocupando quase todo o balão pra mostrar que ela está se expressando com veemência. Esse é um dos mais comuns recursos das histórias em quadrinhos, que nesses casos, bem como nas onomatopéias tipo “soc!”, “crás”, “bum!”, sempre tinham as suas letras desenhadas à mão. Atualmente é possível aplicar distorções e diversos outros efeitos visuais sobre qualquer uma das centenas de fontes disponíveis, através dos programas mais utilizados pelos desenhistas como o adobe photoshop!

Mas uma das coisas que eu mais gosto nessa tira está ainda no primeiro quadrinho, e relaciona-se com o contexto cultural/jornalístico no momento em que a produzi. Naqueles dias, além da bizarra venda em leilão dos óculos de John pela cifra de seis milhões de dólares, estavam nos jornais também as notícias sobre as mortes dos geniais cineastas europeus Michelangelo Antonioni e Ingmar Bergman, e tais referências aparecem, pequenininhas, no verso do “Jornal de papel” nas mãos da Poty. Só que na impressão ou na publicação em baixa resolução, na web, esses detalhes podem não aparecer, e nesse caso as referências perderiam sua objetividade, mantendo talvez, uma uma idéia vaga, subjetiva ou, como diria o Calazans, subliminar, uma "homenagem subliminar", diferente das mensagens subliminares agressivamante comerciais ou ideológicas presentes na mídia. O termo “jornal de papel” é uma sutil ironia, uma vez que hoje as notícias são veiculadas mais amplamente pela TV e internet, e a idéia do jornal impresso torna-se cada vez mais uma referência romântica, quase do passado. Outra sutil ironia está na manchete em letras maiúsculas: “O ÓCULOS DE SEIS MILHÕES DE DÓLARES”; mas apenas quem tem mais de 35 anos lembrará com certeza da série de TV protagonizada por Lee Major interpretando um ciborg, nos anos 70, intitulada “O homem de seis milhões de dólares”. Dizem que essas coisas, como as referências a nomes, jargões ou objetos de famosas séries de TV, ficam no imaginário popular mesmo em um nível subconsciente ou subliminar, e isso poderia explicar, por exemplo, o absurdo sucesso do telefone celular flip, modelo que simplesmente imita o comunicador da tripulação da nave Enterprise na maior série de fc da televisão... mas este foi criado nos anos 60, é referência de outras gerações... Quantas pessoas sabem ou lembram disso conscientemente?!

Bom, seja como for, detalhes curiosos sempre enriquecem uma história, mesmo que ela tenha só três quadrinhos! A tirinha que desmontei aqui tem um final clássico, muito comum em HQs curtas e desenhos animados, e isso também é um recurso próprio e sempre atual dessas linguagens. Não sei se em função dos detalhes, do final clássico ou, provavelmente, da reunião de ambos os recursos, essa tira representou um dos maiores sucessos de crítica no flog do Tupinanquim, como comprova até mesmo o número de comentários na postagem original do último quadrinho.

Nas próximas postagens falaremos da liberdade consciente e das “licenças poéticas” nos diálogos, da reforma ortográfica e, é claro, dos palavrões, censura e públicos (des)afinados, temas atualíssimos e importantes depois das polêmicas com alguns livros de quadrinhos e de contos na área da educação. E aguardem, para os próximos dias, uma nova HQ do Tupinanquim, de três páginas, com outro tema talvez ainda mais urgente: a gripe!

27.7.09

Volta às aulas!

A maioria das escolas está reiniciando as aulas nessa semana, portanto uma boa oportunidade pra publicarmos essa tirinha, inédita, que tem como tema o estudo e a língua portuguesa. Essa é a primeira tira que postamos neste blog, primeira de muitas que virão, umas inéditas, outras já publicadas no fotolog ou por aí! Mas esse post é também a estréia de uma série de reflexões que estaremos publicando, em quadrinhos e em texto, acerca de temas bem atuais como a linguagem, a censura [isso mesmo, infelizmente ela está voltando ):], a saúde e o meio ambiente, que interessam a quadrinhistas, professores, amantes das artes e ao público jovem e adulto, em geral! Mas não se preocupem, o Tupinanquim não vai se tornar um personagem exclusivamente didático, e continuará aprontando as suas travessuras aqui pela net e vivendo emocionantes aventuras, que deverão finalmente ser publicadas num gibi impresso, até o fim do ano! [excessaumblog.jpg]

S’s são as regras?! :P

Hoje em dia, é muito comum vermos tiras de quadrinhos em livros didáticos, especialmente de língua portuguesa. Afinal, a "tirinha" é uma das formas mais divertidas de comunicação e expressão que já foram inventadas. Folheando um único livro da sexta série[1], encontrei quadrinhos da Mafalda (a personagem que mais apareceu), Garfield, Calvin, Hagar, Recruta Zero, Bidu, Chiclete com Banana, os gatos do Laerte, Família Brasil do L.F. Veríssimo, O Pato da Ciça, o Mago de Id, de Brant Parker e Jonny Hart, além de cartuns do espanhol Mordillo, diversos outros cartuns do Quino (autor da Mafalda) e uma tira de Luis Agner. Na maioria dos casos eram tirinhas com diálogos simples, e o que se pedia era a análise e interpretação do texto. Isso só pode acontecer, é claro, quando os autores (ou tradutores) escrevem seus diálogos e narrativas corretamente; infelizmente, é muito comum a gente encontrar quadrinhos publicados na internet e até mesmo em algumas revistas com erros ortográficos, especialmente de acentuação e pontuação. Esses errinhos, mesmo não sendo falhas graves, acabam prejudicando não apenas o autor dos quadrinhos, mas a imagem da HQ como esse instrumento genial de comunicação e expressão acessível a todas as classes e idades! Além disso, como autores nós temos certa responsabilidade diante dos leitores; a influência existe, e de tal forma que uma pessoa que escreve corretamente pode se tornar desleixada com a sua redação se a sua leitura trouxer textos desleixados. Nesse aspecto, a minha sugestão aos “escritores” de quadrinhos é que revisem sempre, e procurem tirar as dúvidas, quando houver, em livros ou consultando alguém que conheça melhor a língua; voltarei a escrever sobre esse tema trazendo algumas dicas importantes num próximo post. É que além da questão dos erros, há tantas “boas” curiosidades referentes à linguagem que podem ser encontradas nos quadrinhos, e quero falar um pouco sobre isso...

Assim, com essa tirinha e esse texto, hoje, eu inicio uma nova série de postagens temáticas. Nos próximos dias publicarei outras tiras e cartuns semelhantes, algumas inéditas, como esta, comentando aspectos da linguagem interessantes que podem ser utilizados com ótimos resultados em uma tira ou história em quadrinhos. Nesta tira, por exemplo, você é capaz de reconhecer os elementos da “metalinguagem” presentes em todos os quadrinhos, especialmente no último? Bem, vamos lá: a conversa do Tupinanquim com o leitor é talvez a mais comum forma de metalinguagem utilizada nos quadrinhos de humor. É só lembrar que a turma da Mônica faz isso sempre... Mas observe que o comentário do Tupi faz referência a algo que pode ser observado do primeiro ao último quadrinho: as formas como aparece a palavra “exceção”, com erros nos primeiros quadrinhos, indicam coisas importantes: no primeiro, mostra a confusão do personagem , que não faz idéia de como escrevê-la; no segundo, mostra como a mãe do Tupi “pensa” a ortografia das palavras enquanto explica. E no terceiro quadrinho o Tupi se refere à forma confusa como a palavra apareceu escrita no início, mas essa forma escrita só existe para o leitor, não para o personagem na ficção, que se expressou oralmente. Essa referência ao texto dentro da própria história, mesmo quando aparece de forma sutil, disfarçada, é o que caracteriza a chamada metalinguagem: ou seja, é uma extrapolação, um abuso dos recursos da narrativa dentro da própria ficção que, nesse caso, interage com a realidade. Claro que essa interatividade entre os dois mundos não ficaria bem numa história mais realista ou dramática (salvo geniais exceções como o filme “A rosa do Nilo”), mas os quadrinhos sempre oferecem recursos fantásticos nessa união entre imagem e texto, e cabe a nós utilizá-los ao máximo e, sem medo de desperdiçar inspiração, inventar coisas novas!

Espero comentários sobre a tirinha e também sobre o texto... afinal, preciso saber se existe mesmo um público lendo minhas divagações...

_____________________________________Erick Artmann


[1] Português : linguagens, 6ª série / William Roberto Cereja, Thereza Analia Cochar Magalhães. – São Paulo. Atual, 1998.

24.7.09

Xandro e Tupi

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Pode-se dizer que esse encontro é um “presente encomendado” pelo aniversariante, mas como podem ver, trabalhei cada detalhe com muuuuuuuuuito carinho, desde a concepção da idéia até a gravação do arquivo no formato final a ser apresentado na web, mantendo boa resolução dentro das possibilidades do blog, e do flog onde postei uma versão um pouco diferente. Trabalheira, mas valeu a pena, pois novamente pude ousar algumas técnicas diferentes conforme a cena foi tomando forma.
O Xandro é um personagem de quadrinhos da era da internet que, paradoxalmente, é talvez o mais artesanal de todos que a gente vê por aí! Isso porque o seu autor Alexandro desenha e pinta com canetinhas e lápis de cor, e depois faz a capa com colagens e até grampeia as revistas que vemos no
seu blog e, portanto, existem de verdade, ainda que apenas em seus originais. Eu adorava pintar com lápis de cor e giz de cera, e cheguei a colorir assim alguns desenhos do Tupi, que viraram cartões e adesivos feitos com xerox coloridos no início da divulgação do personagem (1998). Recentemente quis retomar a técnica e comecei um quadro em lápis e giz, era pra um salão, mas não terminei a tempo; então, quando o Xandro (autor) me pediu pra fazer o encontro dos dois moleques, logo que comecei percebi que seria legal manter o estilo do personagem como ele aparece no flog e no blog, assim mais artesanal. Por outro lado, eu não tinha as mesmas canetas que o Alexandro usa, para os contornos por exemplo, e não seria muito natural eu imitar o estilo dele em tudo; então resolvi fazer como sempre faço, contornos no papel e todo o resto no photoshop, e consegui caracterizar mais ou menos o estilo do Xandrinho usando pincéis com texturas que lembram os lápis de cor;

A metalinguagem presente nesse encontro, em que eles saem de seus respectivos gibis, coincide com as propostas de ambos, recheadas dessas referências entre os dois mundos: o Tupi que sempre conversou comigo, autor, e com vocês leitores, ciente de sua condição de personagem da mesma forma que a turma da Mônica nos velhos gibis e em seu primeiro longa metragem animado; e o Xandro, uma versão desenhada e quadrinhística de seu próprio autor! Pra enriquecer o tema e aumentar um pouco o realismo, quis colocar um bolo de verdade, mas no fim um bolo inteiro ocuparia muito espaço e resolvi eu mesmo assar um pedaço da nega maluca no fornoshop, digo photoshop; foto mesmo tirei apenas do pires, com a borda da mesa que se tornou um canto da parateleira. Até gravei algumas etapas do processo, do mesmo modo que fiz com a arte da goiabeira, e se bobear, um dia desses posto por aqui um novo making off ou mesmo tutorial dessa arte.

Por hora é isso, resta saber a opinião de vocês aí... um feliz aniversário ao Xandrinho, e acho que nem preciso dizer que o Tupinanquim adorou esse encontro com o colega...
Vejam a outra versão do desenho no http://fotolog.terra.com.br/tupinanquim10:204 .

24.12.08

O Tupinanquim no universo da poesia


O livro Desenhos de Linguagem, lançado na semana passada no Teatro Ópera, em Ponta Grossa, reúne especialmente os poemas curtos que escrevi entre 2001 e 2005, quando fazia o curso de Letras na UEPG e, em parte desse período, participava de um grupo de poetas que se reunia para beber poesia, ler e declamar vinho à luz de velas em alguma sala nas proximidades do campus central. Nesse período eu tinha acabado de devorar a obra completa de Manuel Bandeira, e então, estimulado pelo curso e pelos amigos que eu sempre encontrava com um livro de poesia na mão, devorei também Leminski, Pessoa, conheci Ana Cristina César e Florbela Espanca, e redescobri a poesia musical de Arnaldo Antunes de quem já era fã desde o Cabeça Dinossauro dos Titãs de 1986. De anos anteriores também veio a influência de amigos como o Zé Chemin, que escrevia seus haicais nas pequenas pedras encontradas em seus caminhos; e assim, estimulado ainda pela maior intimidade com a língua portuguesa desenvolvida no curso de letras, nas aulas da professora Marcia Zan e do Robison (era ele quem levava as músicas do Arnaldo), de repente meus cadernos começaram a se encher de trocadilhos, que eram na verdade aliterações, paranomásias e anagramas, e mais do que isso eram poemas, curtos e gratificantes em suas formas finais, que me levaram a perceber que eram também desenhos!

“Curtas e gratas” reúne estes poemas visuais e chegou a compor, em princípio, uma parte de um outro livro que reuniria meus poemas desde a infância, e que permanece inédito. Depois virou projeto de livro com esse nome, e por fim tornou-se a primeira parte do livro Desenhos de Linguagem, que reúne ainda poemas mais longos do mesmo período e com a mesma característica de brincar com a língua portuguesa, os “desenhos de linguagem” propriamente ditos e assim nomeados na segunda parte do livro. “Poemas à margem”, a terceira parte, reúne alguns poemas de períodos distintos que, de uma forma ou outra, referem-se ao universo do poeta (e do artista em geral) marginalizado, mas mantendo o humor, as aliterações tão características da obra toda, e valorizando sempre a esperança e as sensações em relação à natureza.

O Tupinanquim ilustra o livro com uma seleção dentre as dezenas de ilustrações que eu teria disponíveis: são algumas das mais poéticas imagens que compus protagonizadas pelo curumim urbano, e todas estão relacionadas, de forma direta ou indireta, aos poemas escritos.

É um ótimo presente pra dar a quem se ama (inclusive você mesmo)! O livro, em caráter promocional de lançamento, custa 15 reais e pode ser adquirido, em Ponta Grossa, nas livrarias Verbo, Makro e Universo da Leitura. Também pode ser adquirido via correios, em qualquer parte do Brasil. Pra pedir o seu mande e-mail para erick.artmann@gmail.com .

Desenhos de linguagem tem 64 páginas em papel branco de 90 gramas ou papel reciclado de 80 gramas, com 40 poemas e 10 ilustrações coloridas do autor; capa colorida com prefácio de orelha em papel supremo 240 gramas, miolo costurado artesanalmente.


Esta primeira edição teve seu miolo impresso em laser com a ajuda da Suprimax cartuchos & Toners. A capa foi impressa na Gráfica Planeta com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Ponta Grossa, e a edição conta ainda com o apoio logístico da Verbo Livraria, Makro Livraria e Papelaria, Degradê Informática e Mian Armarinhos e Presentes. Cada exemplar foi confeccionado artesanalmente pelo autor.