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20.7.12

Era uma vez nas Américas - parte 2




Quando a seleção Brasileira enfrentou a Argentina, em junho desse ano, pensei em dar continuidade aos cartuns que já tinha feito onde o Tupi representava o Brasil, Bart Simpson representava os EUA e El Chavito representava o México. E qual personagem infantil seria mais representativa de nosso país hermano do que a Mafalda? Contudo, lembrei de ter lido uma tirinha da personagem de Quino em que ela ironizava o futebol e a própria paixão popular... Questionadora, contestadora, irônica, não caberia à Mafalda representar em campo a obsessão argentina pelo futebol, correndo atrás da bola e fazendo gols, mesmo que ela pudesse comemorar uma vitória ou chorar uma derrota como é característico de nosso povos... Mas eu já tinha feito uma tirinha em que ela falava sobre futebol, observada com curiosidade por Calvin do Bill Waterson, depois que Brasil e Argentina foram eliminados da Copa do Mundo da África do Sul em 2010 (veja aqui). Além disso, a personagem é tão icônica e importante na História da ficção e também na minha formação como cartunista... que só pude imaginar esse final para esse hipotético encontro, mesmo antes de ver o final do jogo, onde o Brasil, enfim, perdeu de 4X3! O Tupi se encontra com ela, chuta a bola pra longe, mostra seu exemplar de Toda Mafalda e pede um autógrafo... Mas demorei pra desenhar devido às coisas mais urgentes que tinha pra fazer e até mesmo pela falta de compromisso com a publicação, já que o cartum seria apenas um exercício e homenagem postado aqui na internet. Há algumas semanas terminei os desenhos e, fazendo um pequeno suspense entre um e outro, postei-os na página do Tupinanquim no facebook (coincidindo mais ou menos com a final da Libertadores entre Corínthians e Boca Juniors). Independente de qualquer resultado esportivo entre representantes desses dois países, esta é a minha homenagem à mais inteligente personagem de quadrinhos da América Latina e ao seu criador, que vou admirar sempre como um gênio dessa arte!
E aproveitando, comemoramos com esses quadrinhos também o Dia Internacional da Amizade, hoje, 20 de julho! Abraços a todos os amigos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Veja também: 
Copa dos Blogs: a seleção


7.7.10

happy birthday bill watterson

OS QUADRINHOS SÃO JANELAS OU PORTAIS INTERDIMENSIONAIS, ONDE O LEITOR DO MUNDO REAL PODE VER OS PERSONAGENS DE OUTROS UNIVERSOS! EVENTUALMENTE, UM PERSONAGEM DE UM DESSES UNIVERSOS, QUE TENHA O DOM DE 'ENXERGAR' MELHOR, PODERÁ VER PERSONAGENS DE OUTROS UNIVERSOS PARALELOS AO SEU!https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhgcx8XiO10KbYfnYxGzBKcBDdS2CEAWKxW7gHdsTvL4yn9Anwmxtbi0QlFDedq9NwPFsY3ugPvBYQKcthbI7PAyPl8f2gls8CrHHKBi9pABZgbAXLm2oUVnzIRH3XVnMkJ9BHISw/s1600/tupi-calvin-e-mafalda.jpg Calvin, um menino maluquinho criado pelo americano Bill Watterson em 1985, é um dos personagens que certamente teria esse poder de enxergar e até interagir com outros universos. Dono de uma imaginação privilegiada, é através da fantasia levada a sério(!) que ele reflete sobre as contradições, ironias, tira conclusões geralmente hilárias, mas também sérias e contundentes sobre o mundo dos adultos, que já é, na percepção do autor, um outro universo bem distinto daquele em que vivem as crianças (e alguns adultos) capazes de explorar a imaginação de tal forma! A comparação de Calvin com a Mafalda de Quino é inevitável, já que ambos questionam e ironizam constantemente o mundo dos adultos, diferente por exemplo do clássico 'Peanuts' (Charlie Brown), do americano Schulz, onde os adultos nem mesmo aparecem nas tirinhas! Mas há diferenças importantes, determinadas pelos contextos real e ficcional dos autores e personagens. A Mafalda dava voz às críticas sutis, disfarçadas quando necessário, sobre uma realidade política complicada por golpes militares, repressão, colonialismo cultural vividos pela Argentina e outros países da América Latina nos anos 60 e 70. Ali não há tanta fantasia, e além da personagem central há diversos outras crianças, todas com personalidades diversas e bem definidas. Calvin, por outro lado, vive nos EUA dos anos 80 e 90, o império da indústria do entretenimento, e embora mantenha a linha filosófica de sua antecessora sul-americana, mostra-se mergulhado no mundo fantástico, conversando o tempo todo com seu melhor amigo, companheiro de aventuras, o tigre Harold (Hobbes) que, numa primeira leitura, dificilmente o leitor entenderia como um amigo imaginário, um bichinho de pelúcia transformado pelo poder da imaginação infantil. Mas essas características, ao contrário do que possa parecer, não fazem de Calvin um garoto alienado: a boa reflexão sobre a realidade, afinal, vem associada à fantasia desde as fábulas e mitos presentes em todas as culturas mais antigas!
Embora tenha devorado as tirinhas da Mafalda quando era criança, confesso que sou um leitor bastante recente do universo de Calvin, que vim a conhecer melhor apenas algum depois da famosa carta que Watterson escreveu em 1995, ao deixar de desenhar as tirinhas diárias, depois inclusive de já ter criado o Tupinanquim e desenvolvido as primeiras tirinhas e HQs do personagem; o que também não significa que o meu trabalho com o curumim urbano não venha a ter alguma influência do autor de Calvin and Hobbes, afinal os universos ficcionais estão sempre sendo acrescidos de novos elementos, conforme evolui a nossa percepção da realidade e da ficção...
Enfim, este post é minha homenagem a Bill Watterson, que completou 52 anos na última segunda feira, 05/07, e seus personagens mágicos! Aproveitei esse nosso momento de certa alienação, assumida até, em que tanto falamos de futebol e copa do mundo, pra mostrar o Tupinanquim meio perdido nesse contexto após a derrota da seleção brasileira, e Mafalda representando uma cidadã argentina triste mas solidarizada com a frustração de todo o continente nesse cenário futebolístico, e a personalidade contestadora caracterizada pela paráfrase ao conterrâneo Chê! Não é a Mafalda de Quino, claro, mas uma paródia daquela; a ironia do cartum, porém, acredito que traga um pouquinho do que aprendi lendo esses dois mestres.