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19.4.10

PAIQUERÊ

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgG2M45KBODz7d90DaK2mXuGCEjeqSmYl2iJYbec7gje5IYT6d8gxMy1aKncqevOqX7huRg0YLJHXAtLQZLbPD8d0dIMmn8V6hnFlcUITzCm9KshiitR6EO1olaDrougCvzn-5RBw/s1600/cachoeira-tupinanquim.jpg"Todos os índios do sertão de Guarapuava informavam do mesmo modo: os campos do Paiquerê eram os mais belos, amplos e férteis do ocidente, riscados por límpidos ribeiros que corriam sobre brancos seixos para os grandes vales do Ivaí, do Piquirí e do Iguaçu.
À luz do sol e da lua, sob o fulgor das estrelas ou sob a cúpula do firmamento de azul pleno e tranqüilo, a grama eternamente verde do Paiquerê infinito era o pasto, o leito e o ninho de uma fauna de incontáveis espécies, magnífica e deslumbrantre de beleza.
(...)
E os capões bailavam, rodando à passagem dos caminhantes, no movimento da vida farta, num contágio de eletrizante alegria.
A natureza ali exsurgia em tudo numa glória eterna e incomparável, na paz festiva da abundancia e da fraternidade.
Mas onde era esse rincão do Paraíso?
Todos os índios o descreviam aos férreos homens de aventura e de cobiça de aqueles tempos de dantes, mas esses homens partiam sorrindo à sua conquista e se perdiam no sertão!
Guiavam-se pelas aves em revoada, pelo marulho das águas, pela limpidez translúcida do céu, pelo rugido da Puma e se tresmalhavam na floresta!
Caminhavam pisando urzes sem senti-las, dentro de um sonho, alimentados de desejo e de esperança, e aniquilados por fim estatelavam diante da realidade vencedora da selva e da Montanha!
Onde era, então, o Paiquerê?
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O Paiquerê era como a Felicidade: estava em toda parte e em parte alguma! Sem cobiça via-o o índio, estendido e luminoso, farto de frutos, nas terras altas, perto do céu, junto das águas mansas da terra antiga e acolhedora.
Não o via, porém, o egoísta, e entretanto ele ali estava, cobrindo das flores de ouro dos ipês as cabeças dos aventureiros, irradiando para todos os rumos da amplidão o canto das aves que passavam batendo as multicores asas sonorosas bem perto do ambicioso!
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Quantas vezes também nós andamos, na alucinação dos desejos, por toda parte procurando, sem nunca encontrar, uma visão sedutora como o Paiquerê!"...

MARTINS, Romario. Paiquerê – Mitos e Lendas, Visões e Aspéctos. Curitiba: 1940. (p. 9-10; ortografia atualizada)
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Gostaram do texto? Romário Martins, escritor e historiador paranaense, representa, dentro dos temas indígenas para o Estado do Paraná, o mesmo que o General Couto de Magalhães representa nestes mesmos temas para o Brasil.
Hoje é o DIA DO ÍNDIO, uma data simbólica e extremamente modesta criada para homenagear os habitantes nativos do nosso continente, e suas culturas peculiares das quais resta um pouquinho, hoje, no dia-a-dia de todo o povo brasileiro. Infelizmente, a valorização e o respeito ao meio-ambiente natural com sua riquíssima biodiversidade e belíssimas paisagens não foi assimilada pelo colonizador europeu q determinou a maior parte de nossa cultura "civilizada"; mas ainda restam os recônditos entre as montanhas, como mostra o cartum acima.
Esse desenho, pintado com tinta acrílica, é de 1998, e tornou-se o adesivo mais vendido do curumim urbano na época. Também é uma das ilustrações presentes no meu livro de poesia Desenhos de linguagem. Durante o dia vou postar mais algumas homenagens e reflexões sobre a questão indígena. Acompanhe!
Erick Artmann

4.4.10

escalando

Para os guarani, a nação à qual pertencia a tribo de Jacyendi, minha mãe, havia um Deus maior do que todos chamado Nhanderu Ete, filho de Tupã Jasuka, a energia criadora! Nhanderu Ete desposou Nhande Syete, a nossa deusa mãe, e assim nasceu o primeiro homem a habitar a terra: Nhande Ypi, o nosso tataratatataratatataratataravô ou o Adão na cultura guarani! Depois de muitas longas aventuras mitológicas, algumas muito parecidas com as histórias da bíblia como aquela do dilúvio (q existe também em quase todas as culturas muito antigas) e outras muito diferentes, em um certo momento Nhanderu Ete enviou Nhanderu Ra'y para ensinar aos homens o caminho do bem, do respeito a todos os povos e a todas as formas de vida.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiNV2y4njgio-Bo82IjMR-MjfMi7HISumhluuQGvpowzuoJieyThnLMxQNjHIdtZ0FcPSPXUxLZwH0rtYG7NvHh_A__oZwcAC-CM4bmJ_J2xYuc6FQntMiCJhyphenhyphenhyNLOEgOcQ7tT0w/s1600/montanhafe2010.jpg
Nhanderu Ra'y é, para muitos, a versão guarani de Jesus Cristo. Alguns dirão q foram os jesuítas que fizeram essa comparação modificando um pouquinho as nossas lendas originais. Seja como for, hoje comemoramos a páscoa, que já é uma mistura de diferentes tradições, mas tem como personagem principal aquele que pode ser considerado o maior herói da humanidade. Pra mim não importa se a história de Jesus Cristo é ficção ou realidade, afinal a minha história também é uma ficção e aqui estou eu, passando uma mensagem que poderá ser lida e vista por muitas pessoas, e as pessoas devem julgar se essa mensagem é ou não importante pra elas. Também não culpo Jesus nem aqueles que escreveram a sua história pelos crimes q os colonizadores europeus, inclusive os chamados "jesuítas", cometeram contra o meu povo: afinal isso tudo foi muito depois da história de Jesus ter acontecido ou ter sido escrita por seus primeiros seguidores.

Então deixo aqui a minha mensagem de fé, fazendo um trocadilho com a frase original de jesus, que dizia q a fé pode mover montanhas. Bombas também podem mover montanhas, o legal mesmo é escalar, e é isso q devemos fazer em nossas vidas até alcançarmos os objetivos mais altos ou complicados q consideramos importantes!

Por fim, quero aproveitar que estou falando em Jesus Cristo pra indicar uma leitura um pouco diferente sobre esse cara, em quadrinhos: é o álbum Yeshua - assim em cima assim embaixo, de Laudo Ferreira e Omar Vinhole.

Ah, sim: as informações sobre Nhanderu foram baseadas especialmente no livro Kyvy Mirim, de Brígido Ybanhes e Márcia Széliga, e no texto de Ozias Deodato Alves Jr, que pode ser encontrado nesse link http://www.staff.uni-mainz.de/lustig/guarani/floripa/ .

22.3.10

DrummOndeAndo

Em homenagem ao dia mundial da água...
[drummond1.gif.gif] [drummondeando2laguinho.jpg]

Olá, amigos. Esta hq, inspirada no "poema da pedra" de Carlos Drummond de Andrade, aconteceu na prancheta do Erick em 1998, no meu primeiro ano de existência como personagem, e já ilustrava, em sua primeira versão, o convite de nossa primeira exposição de quadrinhos, realizada naquele ano no Sesi em Ponta Grossa; apareceu também em alguns adesivos e cartões artesanais e numa animação feita em power point. Nesta versão atual, a hq integra o livro de poesia "Desenhos de linguagem", lançado pelo Erick Artmann e o selo "À Margem" no final de 2008.
Em princípio pensamos em postar apenas a arte do último quadrinho, por causa do laguinho, como referência ao Dia Mundial da Água! Mas como a hq já tem mais de 10 anos e permanecia inédita na internet, achei q já era hora de apresentá-la a vocês, leitores do meu blog Tupifanzim. Com a HQ, retomamos também a proposta de transformar o blog numa página de quadrinhos na rede, ou webcomic, ja q é justamente nas histórias em quadrinhos, cartuns e tiras que eu me sinto mais à vontade...
Sobre a água e sua importância na vida dos seres do planeta, vamos falar num próximo post em breve; até porque tenho muitas aventuras relacionadas ao tema, fiquem acompanhando! Abraços e até breve!

24.12.08

O Tupinanquim no universo da poesia


O livro Desenhos de Linguagem, lançado na semana passada no Teatro Ópera, em Ponta Grossa, reúne especialmente os poemas curtos que escrevi entre 2001 e 2005, quando fazia o curso de Letras na UEPG e, em parte desse período, participava de um grupo de poetas que se reunia para beber poesia, ler e declamar vinho à luz de velas em alguma sala nas proximidades do campus central. Nesse período eu tinha acabado de devorar a obra completa de Manuel Bandeira, e então, estimulado pelo curso e pelos amigos que eu sempre encontrava com um livro de poesia na mão, devorei também Leminski, Pessoa, conheci Ana Cristina César e Florbela Espanca, e redescobri a poesia musical de Arnaldo Antunes de quem já era fã desde o Cabeça Dinossauro dos Titãs de 1986. De anos anteriores também veio a influência de amigos como o Zé Chemin, que escrevia seus haicais nas pequenas pedras encontradas em seus caminhos; e assim, estimulado ainda pela maior intimidade com a língua portuguesa desenvolvida no curso de letras, nas aulas da professora Marcia Zan e do Robison (era ele quem levava as músicas do Arnaldo), de repente meus cadernos começaram a se encher de trocadilhos, que eram na verdade aliterações, paranomásias e anagramas, e mais do que isso eram poemas, curtos e gratificantes em suas formas finais, que me levaram a perceber que eram também desenhos!

“Curtas e gratas” reúne estes poemas visuais e chegou a compor, em princípio, uma parte de um outro livro que reuniria meus poemas desde a infância, e que permanece inédito. Depois virou projeto de livro com esse nome, e por fim tornou-se a primeira parte do livro Desenhos de Linguagem, que reúne ainda poemas mais longos do mesmo período e com a mesma característica de brincar com a língua portuguesa, os “desenhos de linguagem” propriamente ditos e assim nomeados na segunda parte do livro. “Poemas à margem”, a terceira parte, reúne alguns poemas de períodos distintos que, de uma forma ou outra, referem-se ao universo do poeta (e do artista em geral) marginalizado, mas mantendo o humor, as aliterações tão características da obra toda, e valorizando sempre a esperança e as sensações em relação à natureza.

O Tupinanquim ilustra o livro com uma seleção dentre as dezenas de ilustrações que eu teria disponíveis: são algumas das mais poéticas imagens que compus protagonizadas pelo curumim urbano, e todas estão relacionadas, de forma direta ou indireta, aos poemas escritos.

É um ótimo presente pra dar a quem se ama (inclusive você mesmo)! O livro, em caráter promocional de lançamento, custa 15 reais e pode ser adquirido, em Ponta Grossa, nas livrarias Verbo, Makro e Universo da Leitura. Também pode ser adquirido via correios, em qualquer parte do Brasil. Pra pedir o seu mande e-mail para erick.artmann@gmail.com .

Desenhos de linguagem tem 64 páginas em papel branco de 90 gramas ou papel reciclado de 80 gramas, com 40 poemas e 10 ilustrações coloridas do autor; capa colorida com prefácio de orelha em papel supremo 240 gramas, miolo costurado artesanalmente.


Esta primeira edição teve seu miolo impresso em laser com a ajuda da Suprimax cartuchos & Toners. A capa foi impressa na Gráfica Planeta com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Ponta Grossa, e a edição conta ainda com o apoio logístico da Verbo Livraria, Makro Livraria e Papelaria, Degradê Informática e Mian Armarinhos e Presentes. Cada exemplar foi confeccionado artesanalmente pelo autor.