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4.9.16

luto pela democracia

 A turma do Tupinanquim protesta contra o golpe parlamentar que depôs a presidente eleita, e contra  o novo governo que ameaça e já começou a retirar direitos conquistados. Acima, a versão animada e abaixo a imagem estática que você pode usar como capa ou wallpaper. Manifeste-se pacificamente pela democracia, pela manutenção dos direitos trabalhistas, das políticas de inclusão social e do patrimônio público!


26.12.15

Um natal bem nativo

Tupinanquim e o pinheiro de natal nativo do Brasil
Olá! Depois de um jejum de alguns meses sem postar nesse blog, voltamos hoje com alguns breves quadrinhos sobre um tema muito importante na cultura ocidental: o Natal, que representa o nascimento do personagem mais importante na história da humanidade, Jesus Cristo, e ao mesmo tempo descende de festividades relacionadas ao solstício de inverno, no hemisfério norte, especialmente nas culturas celta, que celebrava o dia mais curto do ano, e romana, que homenageava os deuses Saturno e Mitra (divindade solar de origem persa). Aqui no hemisfério sul é o solstício de verão que se inicia em 21 ou 22 de dezembro, próximo ao natal cristão, e em função desse calendário existiam festas e cerimônias também entre tribos sul-americanas, comemorando ciclos de colheita, de plantio da mandioca e fim da estação seca na região amazônica, enquanto na cultura inca era o próprio deus Sol que era celebrado nos solstícios de inverno e de verão. Há indícios que culturas guarani, do sul do Brasil, também celebravam os solstícios. No entanto pra falar mais sobre essas festas antigas seria necessário pesquisar muito, há pouco material disponível, quase nenhum na internet. Além do mais, a cultura cristã já está enraizada entre as nações indígenas brasileiras, que sofrem as influências desde as catequizações jesuíticas até o simples fato de que o que o Brasil de hoje (pra não dizer o mundo) está extremamente interligado através da educação e comunicação, e os grandes eventos culturais (que também são econômicos, como é caso do Natal) ocorrem para todos. Quanto mais para Tupinanquim e sua família, já que se trata de um curumim urbano!
Neste ano estou publicando aqui estes quadrinhos que, originalmente, tinha feito para dois cartões de Natal impressos. As artes originais eram pintadas com tinta acrílica,e reeberam alguns retoques de photoshop nesta edição. Temos a araucária, pinheiro nativo do sul do Brasil como tema de uma breve reflexão ambientalista, e uma lenda sobre a estrela de Belém. 
Voltarei a postar quadrinhos e também notícias sobre o universo do Tupi com mais frequência, pois há bastante material inédito, estou produzindo ainda mais e também desenvolvendo novos projetos que divulgarei por aqui. Na página do facebook já temos publicado muitos quadrinhos inéditos, então visite-nos lá, curta e acompanhe os diversos álbuns e ajude a divulgar compartilhando. Um ótimo fim de ano, e até breve!


31.1.15

nous sommes charlie


Esta cena, postada com algumas semanas de atraso, é uma homenagem aos cartunistas Charb, Cabu, Tignous, Honoré e Wolinski, mortos numa ação terrorista ao jornal satírico francês Charlie Hebdo em 7 de janairo de 2015, que deixou ainda outras seis vítimas fatais, sem contar os próprios suspeitos do crime que foram mortos pela polícia dias depois. Muito se falou sobre a motivação religiosa do crime, atribuído a seguidores do grupo fundamentalista de origem islâmica Al Qaeda. Pra mim, é mais uma dentre tantas histórias mal contadas, onde os suspeitos não puderam ser presos e julgados apesar de toda a mobilização de uma policia poderosa que pra defender a justiça deveria, eu penso, priorizar a prisão e o esclarecimento dos fatos. 

Mas o que importa aqui, e acredito que para a maioria dos artistas que homenagearam as vítimas e o próprio jornal reproduzindo em cartuns pelo mundo todo a frase adotada "Je suis Charlie" ou "eu sou Charlie", é defender em todas as circunstâncias a liberdade de expressão  e o direito à vida, à informação, à arte e ao diálogo. Quando toda a imprensa e mídia, especialmente a chamada "grande imprensa" de cada país costuma mentir, agredir e distorcer informações defendendo os interesses dos grupos políticos, econômicos ou religiosos que defendem, e eu tenho certeza de que isso acontece, um jornal que questiona, ironiza e critica esses grupos poderosos através do humor não pode jamais ser censurado, chamado de radical ou de inconsequente e muito menos sofrer de violência, seja do lado que for. Mais do que isso, a homenagem vem em solidariedade às pessoas que morreram fazendo o que os políticos dificilmente conseguem: buscar a consciência e a discussão de valores, nesse caso, através da arte e da visão satírica, que pode incomodar ou fazer rir, mas não fere, não mata, não tortura! 

13.7.14

Max und Tupi

Clique sobre a primeira imagem para ampliar.



Olá caros leitores.
Max e Moritz (Juca & Chico na tradução mais antiga, de Olavo Bilac) são dois irmãos travessos, personagens criados pelo alemão Wilhelm Bush em 1864, numa obra que foi considerada precursora das modernas histórias em quadrinhos. Eis aqui nossa homenagem, que começava com o desafio do jovem Tupinanquim ao já velhinho Max... que veio com a camisa rubro-negra declaradamente inspirada no flamengo! 
Desenhei o primeiro desses quadrinhos ainda antes do jogo contra a Alemanha, no dia 8 de julho. Mas no primeiro tempo a goleada já estava desenhada em campo, e então, enquanto o chocolate continuava durante o segundo tempo, desenhei/editei a segunda cena, com o Tupi encolhendo diante do personagem alemão que se agigantava.
Postei esses dois quadrinhos na página do Tupi no face, depois fiz/postei o terceiro e só consegui terminar o último hoje, depois do jogo seguinte em que o Brasil também perdeu, dessa vez para a Holanda disputando o terceiro lugar (ontem, 12/07). Publiquei a série completa primeiro aqui no blog, depois coloco a última cena também no face para completar o álbum lá. 

Essa é a última série de quadrinhos com o Tupinanquim parodiando jogos da seleção brasileira na copa do mundo de 2014, até porque acho que ficou bem representativo e o jogo contra a Holanda meio que repetiu a história. No entanto, a copa não acabou para o nosso personagem, que ama o futebol. Estou fazendo uma história de uma página, com seis quadrinhos, sobre o final do sonho dos meninos jogando com a "brazuca". E farei outras histórias também, com outros temas, nesse formato com cada quadrinho separado, o que agiliza a leitura aqui na internet e chega quase a dar uma sensação de animação, dependendo das cenas (veja nesse caso, apliando e avançando as imagens).
 Entre Argentina e Alemanha? Não sei, torço para os dois, pelo bom futebol, por um grande espetáculo no final dessa "copa das copas" em que faltou a seleção da casa, do país do futebol, fazer um pouco mais bonito. abraços ;) 

14.7.12

Tupinanquim: gibi número 0

capa original, com cores de Eguelson Almeida
O primeiro gibi do Tupinanquim foi publicado em agosto de 1998, numa edição independente, já com o selo "Quadrinhos à margem", que eu havia criado um ano antes para a Revista Surreal (que não chegou a ser impressa). O tema da capa e de 2 das 4 HQs era o frio aqui do Sul, onde está localizada a fictícia cidade de Itaquessaba. A edição trouxe ainda alguns passatempos e as primeiras tirinhas do personagem produzidas no ano anterior, bem como a apresentação em texto das características e da proposta do "curumim urbano"! 
As histórias eram: "Meu primeiro floco de neve", com o Tupinanquim e o Wolfgang; outra hq sem título, sobre o frio e a copa do mundo, já publicada aqui; "Exceção à regra", apresentando a Potiquitã e os pais do Tupi, todas essas com meu texto e arte; e "A predadora", com história minha e desenhos do Rodrigo Stella. A capa era um desenho meu colorido pelo Eguelson de Almeida. O miolo era em preto e branco, teve 24 páginas no total, e cerca de 300 cópias, ou seja, praticamente um fanzine, mas que pôde ser impresso com boa qualidade graças ao apoio de algumas pequenas empresas daqui de Ponta Grossa que "anunciaram" no gibi, precisamente o Foto Carlos, a distribuidora de revistas Castro, o sebo Pantera, a extinta Livraria Beco do Livro, colégio Sant'Ana, Instituto cidade Viva, escola Desafio e até mesmo o Diretório Central de Estudantes da UEPG! A Copiadora Manarim deu um descontinho nas cópias, que naquela época já tinham boa qualidade, inclusive nas cores!
versão inédita

Em 2006 fiz uma nova colorização da capa, até porque já não existia mais o arquivo original com as cores do Guel. A idéia era republicar o gibi, mas até hoje isso não aconteceu, e as únicas cópias impressas são as da primeira edição de 1998. A primeira história já foi publicada na internet, e penso em fazer uma edição virtual completa desse gibi que é, digamos assim, a certidão de nascimento do Tupinanquim. O personagem fora apresentado em público pela primeira vez numa exposição de quadrinhos, em 5 de fevereiro daquele ano, no Sesi/PG, data que considero o seu aniversário. O lançamento do gibi foi em 17 de agosto no SESC/PG, junto com o livro de poesias Viva Galera do Adilson Reis. Naquele mesmo ano, alguns meses antes, comecei a vender os adesivos e cartões postais do Tupinanquim. 
Veja também as publicações: Tupinanquim e o ECA, Os arroios urbanos de Ponta Grossa, Gibi virtual nº 1, Gibi virtual nº 2, O Tupinanquim no universo da poesia (Livro Desenhos de Linguagem).

desenhos de Rodrigo Stella


26.10.11

EsporTe, Vê


Relembrando: cartum animado do Tupinanquim produzido e postado durante os jogos panamericanos do Rio de janeiro em 2007. Na época, não havia exclusividade na transmissão e várias emissoras comentavam, especialmente a globo, que até exagerava na idolatria e no tempo da cobertura dedicada ao evento.
O cartum satiriza esse exagero e também procura mostrar, na inocência da Poty, um pouquinho da visão consumista e alienada dos espectadores/torcedores que enxergam o esporte apenas como um evento de mídia e não como uma possibilidade real de prática no dia a dia.
Já os jogos panamericanos desse ano, em Guadalajara no México, estão sendo transmitidos com exclusividade pela Rede Record, e em função disso a rede Globo, desafeto comercial e ideológico da Record, boicotou o evento até mesmo no seu telejornalismo, que até agora não exibiu nem uma cena sequer relacionada aos jogos. Guerra de emissoras à parte, o Brasil faz a sua melhor campanha de todos os tempos em panamericanos e hoje mesmo deverá chegar e ultrapassar a sua trigésima medalha de ouro, mantendo-se em segundo lugar atrás apenas dos Estados Unidos, caminhando pra se tornar a potência mundial nos esportes que durante décadas era apenas um potencial adormecido.
keep running, Brazil!

17.9.11

999 dias para a Copa do Brasil

Olá amigos. Estive sumido do mundo virtual pq fiquei um tempo sem internet aqui no casebre às margens do Pitangui; mas agora consegui uma conexão razoável com um provedor de webmovel e pretendo atualizar o blog com as novidades do curumim urbanóide.
Esta animação, ja conhecida pelos visitantes do blog em seu formato swf, está agora no youtube comemorando a contagem regressiva para a copa do Brasil 2014.
abraços, Erick.

21.12.10

o eclipse


Erê, amigos. Agora que estou de férias na escola, volto a postar algumas tirinhas e hqs curtas aqui no Tupifanzim, que ficou meio abandonado nos últimos meses. Mas nesse tempo a vida prosseguiu aqui em Itaquessaba; eu, a Poty e toda a turma vivemos algumas aventuras divertidas, e em 2011 elas deverão chegar até vocês... seja pela internet ou numa revista impressa; e assim os nossos sonhos serão... digamos.. ficção de verdade! ao menos nos quadrinhos tupiniquins que ganham força a cada balão de pensamento!

um bom verão, boas férias ou feriados a todos e acompanhem as nossas novidades!

Tupinanquim!

26.6.10

23.6.10

HQ CRAQUES DA DÉCADA... pág. 8

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhOyZo3A7NzZoVRJcB4991PYanpeu4zjNzq1wg6Yw5L9k3taXHgKZpgwQ4tvp08SMVCbIDOXj58iteRYN_EiKkAbCIKDqE3vDHM_23gfq0iTAqj2Z6DgnCPZlEkZZuDu0qPAC77uA/s1600/craques8blog.jpg
Como podem ver, a Poty já dava suas cabeçadas nessa hq q foi desenhada bem antes da animação q publicamos no início da copa. será q ela joga mesmo? bom, acompanhem a hq... hehehe. continua amanhã...

11.6.10

copa dos blogs






Olá, pessoal.

Como a minha animação ta pesadinha e demora um pouquinho pra carregar, e enquanto a Poty e o Tupi cochilam ali se preparando pra entrar em cena, dá tempo de você ler essas curiosidades:

Este post faz parte de um jogo chamado “copa dos blogs” idealizado pelos cartunistas Cléber B. e Wesley Samps. Pra ver de onde veio a bola do nosso desenho animado, ◄◄ volte no jogo através desse link. Pra saber onde ela vai parar, avance no jogo!►►


Sobre o desenho animado:

Bom, eu adoro os bonequinhos buddypoke, do orkut, especialmente porque eles permitiram criar uma versão bem caracterizada do Tupinanquim em 3D, e desde 2008 venho brincando com as imagens e pequenas animações do aplicativo orkuteano. Esse cartum animado, porém, é bem mais complexo, e utilizei os frames (quadros de movimento) de diversas breves animações do aplicativo, editando praticamente quadro a quadro toda a animação, no flash MX (2D). Não foi nada fácil e levei semanas pra concluir essa etapa do desenho; num próximo post mostrarei mais algumas curiosidades de bastidores. Eu disse “essa etapa”, porque vou desenvolver o desenho numa versão mais completa, que será publicada em outro formato de arquivo, no youtube! Como essa versão é bastante curta, achei desnecessário incluir uma “ficha técnica” dentro do desenho, mas não poderia deixar de mencionar os autores da música: ela é uma introdução a uma versão roqueira do nosso hino nacional, e foi gravada no início dos anos 90 por uma banda de garagem chamada Amazon, formada por Marko, Cláudio Aricó (guitarras) e Ronaldo Cardonetti (bateria – informações fornecidas pelo filho do Cláudio, Diogo).


Quero aproveitar e agradecer (e parabenizar) ao wesley, cléber, eurico e a toda a galera que ta participando dessa brincadeira, e por terem incluído o Tupinanquim nessa. O curumim tá super-feliz e, como a todo brasileiro, é impossível não ter alguma expectativa em relação a esse torneio planetário de futebol que começa hoje na África do Sul. Boa sorte e boa arte pra todos nós!!!


4.6.10

chegando a hora













erê, pessoal. chegando a hora do início da copa 2010, e enquanto a Poty entra em frenesi, eu fico nervoso e rezo... rs; não tô postando muito aqui no blog ultimamente, eu sei, mas é q em época de copa do mundo nossas atenções ficam voltadas para o esporte e ando treinando bastante, como vcs puderam ver nas páginas de quadrinhos q o Erick postou há algumas semanas... hehehe, confesso q ali eu não estava muito bem, mas já estou melhorando e vocês vão perceber isso nas próximas atualizações do blog, qdo mostraremos até um filminho... queria contar mais, mas será uma graaaaaaaaande surpresa!
sobre a hq, como não foi possível mais uma vez lançar o gibi impresso antes do início da copa, estou pensando em postar a história inteirinha aqui no blog, tipo uma página a cada dois dias, aproveitando o tema futebol. o q vcs acham?
prometo q de agorta em diante não vamos mais demorar tanto com as novidades, q não faltam por aqui em Itaquessaba. Bola pra frente, Brasil!

Poty em versão buddypoke

Adicione a Poty no orkut!

Aí está a Potiquitã, mais uma vez, mas agora em sua versão buddypoke! ela anda reclamando q só eu tenho blog, orkut, twitter, e por isso resolvemos fazer um perfil no orkut pra ela. Dessa vez sou eu q to postando, pq a Poty ainda tá aprendendo a usar a net... Breve ela também estará postando suas idéias (importantíssimas! hahaha) aqui no blog, e ela também terá participações nas MINHAS histórias nas próximas semanas, especialmente nesse período de copa de mundo, já q ela adora futebol!

18.5.10

a cunhantã e seu xerimbabo

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg3iC0JsGpgcV1NQdM912vqlkX89FA_9QJdUl4D-CvfAotnLVfEdWmyAtUoWIKxfbMyMybELiL-MeLYmv1CW1w_HGuiF_hJ0za7vYJyajh-pZMgYnpCdpj7nq_Zhu0UpKjOFLuIbQ/s1600/pucaxecor2.jpg

Essa é a Potiquitã, irmãzinha do Tupinanquim. Como sabem, o Tupi é um "curumim urbano", menino índio que mora na cidade e preserva a cultura de seu povo; o mesmo, é claro, acontece com a Poty, só que menina índia é cunhantã (ou 'cunhatã', porque a língua Tupi ainda não tem uma ortografia unificada, nem mesmo uma gramática única/oficial, já que são muitas sublínguas provenientes do mesmo tronco). Optei por "cunhantã" porque vem da junção de duas palavras: cunhã (mulher) e tã ou têm (pequeno, jovem), logo, o ‘ã’ anasalado escreve-se em português “an” no meio da palavra precedendo a letra ‘t’: cunhantã! Então a Poty é a cunhantã urbana e logo apresentaremos as outras características e qualidades da personagem; mas já vou adiantar duas delas: além de adorar os animais, ela ama o futebol!!!

Mas hoje, já que comecei a falar na ortografia, vou explanar mais algumas coisas acerca dos nomes que derivam das línguas tupi (nheengatu e/ou tupi-guarani): o nome Potiquitã significa “botão de flor”, registrado como potykytã pelo dicionário do Luiz Caldas Tibiriçá[1]. Em 1998 adotei o nome com a ortografia das letras então oficiais, i ao invés de y e qui ao invés de ky, porque na época y e k estavam fora do nosso alfabeto; mas também porque já tinha criado o personagem principal com o nome em português Tupinanquim (fazendo o trocadilho do nome da antiga nação tupiniquim/tupinãky com a tinta que usávamos pra desenhar até o final do século passado... rs). No entanto, para a abreviatura do nome Poti/ significando 'flor', que já é uma abreviatura de potyra, todos os dicionários consultados só registravam poty com y, o que também significa 'camarão'; mas a merda foi ver que Tibiriçá registra poti com i como 'fezes' (?!), e embora outros dicionários não confirmem essa tradução, o detalhe gerou um paradoxo, e assim, desde as primeiras HQs da Poty optei por Potiquitã, quando por extenso, e Poty, como abreviatura ou apelido.

No ano passado tivemos a reforma ortográfica, que readmitiu as letras K, W e Y especialmente para o uso em nomes e em termos de origem estrangeira ou indígena; logo poderíamos adotar um nome como Potykytã sem precisar utilizar o itálico e sem parecer tão estranho para um personagem brasileiro; mas de qualquer forma ficaria diferente do Tupinanquim e, como já são alguns anos de divulgação (ainda que modesta) com essa ortografia, por enquanto manteremos Potiquitã e Poty. É claro que, até o lançamento de uma revista de grande tiragem poderei reavaliar a questão, que fica aberta a opiniões!

E finalmente, vamos ao bichinho de estimação da Poty, o cachorro Pucaxé: sobre o nome, baseei-me no dicionário do Gonçalves Dias [2], que registra pucá xoer = risonho! Logo, pucá xoér > Pucaxé! E ponto final. ... Ou será que podia ser Pucaxó?!!! Rs.

E o porquê de uma menina índia ter como xerimbabo (bichinho de estimação) um cão e não um animalzinho nativo, como um jabuti, papagaio, jaguatirica ou mico como a Tainá?! Porque, como já dissemos, ela é uma cunhantã urbana, e tem acesso às mesmas coisas que todas as crianças da cidade têm. Da mesma forma, o animal de estimação do Tupinanquim é um gatinho, o Nanquim, e ambos, Pucaxé e Nanquim, terão papéis importantes nas aventuras dos nossos jovens heróis tupiniquins!

Até a próxima!


[1] Tibiriçá, Luiz Caldas. Dicionário tupi-português – com esboço de gramática de tupi antigo. 2ª ed. – São Paulo: Traço editora, 1984.

[2] Dias, gonçalves. Dicionário da língua tupi – chamada língua geral dos indígenas do Brasil. Rio de janeiro: Livraria São José,1970 (fac-símile da edição alemã Leipzig, F. A. Brochaus, 1858...)

31.7.09

A exploração das fontes e os detalhes quase subliminares

Essa tirinha é de 2007, e tinha sido publicada quadro a quadro no flog do Tupi, onde eu apenas havia mencionado a existência de alguns detalhes e recursos de linguagem, sem identificá-los, com a promessa de comentar detalhadamente em outro post... que é esse, dois anos depois... rs.

Bom, a primeira coisa que podemos observar no texto é uma mudança nas fontes, logo no primeiro balão. Bem característico dos quadrinhos e da publicidade, esse é um recurso mais visual do que textual. A Poty lê, ou finge que está lendo, e o texto que estaria no jornal é apresentado em fonte arial, tipográfica e comum a jornais impressos, ainda que, na cena, o que o texto representa imediatamente é a fala, e não a escrita.

Outro detalhe importante neste primeiro balão é a grafia: é claro que “ex-bítou Djôm Lênom” é uma representação incorreta, porém mais próxima da pronúncia de acordo com a fonética da língua portuguesa. Nos quadrinhos atuais a Potiquitã está no início de sua fase de alfabetização, como fica claro na sequência da tira, e assim ela não está de fato lendo; então eu representei as palavras como ela imagina que seriam escritas ou, simplesmente, como ela as pronuncia, pois não existe pra ela, ainda, a representação escrita e da língua inglesa, tão diversa da nossa na associação com os sons. Se ela estivesse lendo, provavelmente pronunciaria literalmente be-a-tle ao invés de beatle=‘bítou’. Da mesma forma, ela fala “o óculos”, como já é comum na nossa linguagem coloquial. Se estivesse lendo, ela diria evidentemente como estaria escrito no jornal: “os óculos”. No entanto, aqui cabe uma observação sobre certas liberdades que a língua escrita vem ganhando em função da língua falada, e a perda do plural na identificação pelo artigo na palavra óculos já é aceita (o óculos); bem como na palavra calças, que nesse caso perde também o seu ‘s’ final (as calças > a calça). Falaremos noutro post sobre essas “liberdades”, que não trazem nenhum prejuízo estético quando bem utilizadas, especialmente em crônicas e na ficção.

Voltando à questão dos recursos visuais aplicados ao texto, pulemos pro último quadrinho, onde o adjetivo composto “estraga-prazeres” aparece inflado, ocupando quase todo o balão pra mostrar que ela está se expressando com veemência. Esse é um dos mais comuns recursos das histórias em quadrinhos, que nesses casos, bem como nas onomatopéias tipo “soc!”, “crás”, “bum!”, sempre tinham as suas letras desenhadas à mão. Atualmente é possível aplicar distorções e diversos outros efeitos visuais sobre qualquer uma das centenas de fontes disponíveis, através dos programas mais utilizados pelos desenhistas como o adobe photoshop!

Mas uma das coisas que eu mais gosto nessa tira está ainda no primeiro quadrinho, e relaciona-se com o contexto cultural/jornalístico no momento em que a produzi. Naqueles dias, além da bizarra venda em leilão dos óculos de John pela cifra de seis milhões de dólares, estavam nos jornais também as notícias sobre as mortes dos geniais cineastas europeus Michelangelo Antonioni e Ingmar Bergman, e tais referências aparecem, pequenininhas, no verso do “Jornal de papel” nas mãos da Poty. Só que na impressão ou na publicação em baixa resolução, na web, esses detalhes podem não aparecer, e nesse caso as referências perderiam sua objetividade, mantendo talvez, uma uma idéia vaga, subjetiva ou, como diria o Calazans, subliminar, uma "homenagem subliminar", diferente das mensagens subliminares agressivamante comerciais ou ideológicas presentes na mídia. O termo “jornal de papel” é uma sutil ironia, uma vez que hoje as notícias são veiculadas mais amplamente pela TV e internet, e a idéia do jornal impresso torna-se cada vez mais uma referência romântica, quase do passado. Outra sutil ironia está na manchete em letras maiúsculas: “O ÓCULOS DE SEIS MILHÕES DE DÓLARES”; mas apenas quem tem mais de 35 anos lembrará com certeza da série de TV protagonizada por Lee Major interpretando um ciborg, nos anos 70, intitulada “O homem de seis milhões de dólares”. Dizem que essas coisas, como as referências a nomes, jargões ou objetos de famosas séries de TV, ficam no imaginário popular mesmo em um nível subconsciente ou subliminar, e isso poderia explicar, por exemplo, o absurdo sucesso do telefone celular flip, modelo que simplesmente imita o comunicador da tripulação da nave Enterprise na maior série de fc da televisão... mas este foi criado nos anos 60, é referência de outras gerações... Quantas pessoas sabem ou lembram disso conscientemente?!

Bom, seja como for, detalhes curiosos sempre enriquecem uma história, mesmo que ela tenha só três quadrinhos! A tirinha que desmontei aqui tem um final clássico, muito comum em HQs curtas e desenhos animados, e isso também é um recurso próprio e sempre atual dessas linguagens. Não sei se em função dos detalhes, do final clássico ou, provavelmente, da reunião de ambos os recursos, essa tira representou um dos maiores sucessos de crítica no flog do Tupinanquim, como comprova até mesmo o número de comentários na postagem original do último quadrinho.

Nas próximas postagens falaremos da liberdade consciente e das “licenças poéticas” nos diálogos, da reforma ortográfica e, é claro, dos palavrões, censura e públicos (des)afinados, temas atualíssimos e importantes depois das polêmicas com alguns livros de quadrinhos e de contos na área da educação. E aguardem, para os próximos dias, uma nova HQ do Tupinanquim, de três páginas, com outro tema talvez ainda mais urgente: a gripe!

18.7.09

Maurício: meio século de História... em quadrinhos!

Até os 5, quase seis anos de idade, eu morava num lugar chamado Vila Liane. Em frente à nossa casa, que era de madeira, tinha um campinho onde empinávamos pipa; os quintais tinham árvores frutíferas, a rua era uma ladeira que descíamos de carrinho de rolimã, e no verão era comum andarmos com os pés descalços! Ou seja, eu vivi um pouquinho nesse universo, nos anos 70, muito parecido com o bairro do limoeiro retratado desde antes daquela época e, com poucas mudanças importantes, até hoje nas revistas da turma da Mônica. Minha irmã mais velha ganhava sempre, do meu tio Ludovico, gibis novos da Mônica e do Cebolinha, e eu, que ainda não sabia ler, adivinhava as histórias (algumas minhas irmãs liam pra mim). Minha irmã guardou os gibis e fui reencontrá-los depois que já estava na escola e morava mais perto do centro; entre aquelas relíquias, estava a revista Cebolinha número 2, da ed. Abril, e mais tarde cheguei a comprar uma reedição da número 1.

As histórias daqueles primeiros gibis do Cebolinha, de que me lembro bem e que eu mais gostava, eram duas da dupla Cebolinha e Cascão: uma em que o Cebolinha tinha feito um avião de madeira (mas que se não me engano era azul?!) que de repente voava de verdade, e outra análoga, sobre um carrinho de madeira onde um ia dentro e o outro empurrava, até encontrarem uma ladeira e perderem o controle ou algo assim... Há muitos anos não temos mais esses gibis (acho que eu e meu irmão devolvemos pra dona apenas as Mônica (que ela deve ter até hoje) e, por fim, extraviamos os Cebolinha [:S].

Mas o estrago já estava feito... rs. Como todo mundo li muito gibi da Disney, mas recebi outras influências como os livrinhos que reuniam as tiras da Mafalda, do Garfield e do Angeli/Chiclete com Banana (antes da revista bimestral ser lançada). Aos 10 anos comecei a acompanhar os gibis de super-heróis da DC, depois Conan, os quadrinhos eróticos da Grafipar; aos 17 produzi meu primeiro fanzine de quadrinhos, num gênero bastante rebelde, depois escrevi e desenhei vários gêneros, inclusive super-heróis. Mas fui me encontrar realmente no mundo dos quadrinhos quando, alguns anos depois de me tornar pai e aprender mais um monte de coisas com o meu filho mais velho, voltei à infância, à inocência dos quatro, cinco anos, e finalmente, reassumida minha primeira paixão literária que eram as histórias em quadrinhos do Mauricio de Sousa, surgiu o Tupinanquim, inspirado em meu filho Mozart em 1994, então com 4 anos e a exemplo da história do próprio pai/criador das Mônicas filha e personagem!

Oficialmente, o Tupinanquim nasceu em 1998, quando apareceu pela primeira vez numa exposição e também num jornal impresso, já basicamente com as mesmas características que tem hoje; o traço, é claro, evoluiu um pouco de lá pra cá: sempre gostei de um estilo um pouco mais realista tanto em quadrinhos como em desenhos animados e isso se reflete na orientação do meu desenho, que nunca foi meu grande talento (sempre gostei mais de imaginar e escrever.. rs). As cores trabalhadas artisticamente, primeiro com tinta acrílica e, já nesse século, através do computador, também caracterizam as ilustrações, cartuns e HQs do Tupi, que apesar disso não teve ainda um gibi impresso colorido. Feitas essas apresentações, talvez fique mais fácil, especialmente a quem pouco conhece o Tupi, entender a ilustração que produzi para homenagear o “rei” da história em quadrinhos brasileira, onde os principais personagens de cada autor aparecem com seus estilos de desenho trocados.

Mas o importante disso tudo é lembrar que, apesar das diferenças, o conjunto da obra desenvolvida nesses 50 anos pelo genial Maurício de Sousa me inspirou e continua inspirando até hoje. Sim, tenho críticas, desde os anos 80 quando o estúdio cresceu muito e diferentes roteiristas assumiram, as coisas mudaram e, hoje, há um multiverso dentro da empresa Mauricio de Sousa Produções, com suas qualidades e defeitos em todas as suas galáxias, inclusive na badalada revista Turma da Mônica Jovem! Mas hoje é dia de comemorar, não de polemizar, e o fato do Maurício e suas idéias, equipes, produções terem chegado onde estão, tornando-se uma das grandes empresas voltadas ao entretenimento infanto-juvenil no mundo, não é de forma nenhum razão para crítica, e sim para orgulho e celebração. Afinal, se a copa do mundo é nossa (?!), a Turma da Mônica, quiçá esteja em pouco tempo pau a pau com o licenciamento dos produtos Disney mundo afora, também é nossa, paulista, brazuca e, sem trocadilhos, tupiniquim!

Erickson Artmann

ps: vejam mais artes de vários autores, homenageando o Mauricio, através do blog criado com esse fim pelo quadrinhista Wesley: http://mauriciodesousa.wordpress.com/

10.7.09

o dia em q a terra parou...

[hq-veloriorkut.jpg]

Foi uma bonita homenagem ontem, na televisão... um verdadeiro show, e tiraria meu chapéu (se estivesse usando um) para os produtores. Achei um pouco esquisito que esse show era um velório, de um cara que já morreu há duas semanas, e o mundo meio que parou pra falar dele. Achei legal que não houve muitos desastres importantes nestas duas semanas, parece que as guerras, crimes, acidentes, festas, greves, tudo enfim ficou menos grave. Bom, pelo menos essas coisas pareceram menos graves na televisão, que falou mais no falecido Michael Jackson do que em qualquer outra coisa.

Mas tá, ele era o rei do pop, e rei é rei... Eu pessoalmente gosto mais do Raulzito. Ou do John Lennon, se for pra falar num que cantava em inglês e também foi rei (do ieieiê?!)! Esquisita também essa monarquia no mundo da música. Será que Michael Jackson era parente do Elvis, que era o rei do rock (ou do tchatchatchá, segundo algumas versões... ). Falando nisso, o outro rei , mas esse da jovem guarda e da música romântica brasileira, acabou ficando meio de lado ... afinal, ele ta comemorando 50 anos de carreira e a morte do rei do pop diminuiu seu brilho...

Agora, fala sério. Nunca entendi realmente qual era a do Michael Jackson! Enquanto aqui nos trópicos o povo inveja a pele cor de chocolate e quem é branco fica tomando sol, se bronzeando até com lâmpadas, para pegar uma corzinha melhor, ele fez o contrário: mudou de preto pra branco e ainda reformou o próprio rosto pra tentar afinar o nariz e os lábios, deixar o queixo quadrado... ou seja, negou a própria cor num país onde os negros lutam há séculos por maior igualdade e respeito (e vêm conquistando). Nesse ponto, achei meio estranha a mensagem do Nelson Mandela e a presença dos filhos de Martin Luther King no velório; mas aí disseram que Michael foi o autor da letra da música “uí arde uôrde”, feita pra ajudar os famintos da África nos anos 80, e entendi as homenagens. Mas enfim... o cara foi enterrado (ah, acho q enm foi ainda, né?!), as gravadoras e toda a mídia que falar sobre ele ainda vai continuar lucrando algum... e seguindo essa idéia, até eu to postando aqui minha hq, opinião e homenagem (ainda que não seja assim tão puxa-saco como o resto do mundo)... pra tentar pegar uma caroninha nessa popularidade do falecido, hehehe. Pelo menos, ninguém pode dizer que isso seja humor negro. Desbotado, talvez.

Segue em paz, Jackson’s boy. Na verdade, eu gosto daquelas fotos antigas em que você tinha aquele cabelinho black power... se eu pudesse influenciar o desenhista das minhas histórias, faria o meu colega Zumbi com o cabelo bem naquele estilo... ;)


Tupinanquim