7.7.10

happy birthday bill watterson

OS QUADRINHOS SÃO JANELAS OU PORTAIS INTERDIMENSIONAIS, ONDE O LEITOR DO MUNDO REAL PODE VER OS PERSONAGENS DE OUTROS UNIVERSOS! EVENTUALMENTE, UM PERSONAGEM DE UM DESSES UNIVERSOS, QUE TENHA O DOM DE 'ENXERGAR' MELHOR, PODERÁ VER PERSONAGENS DE OUTROS UNIVERSOS PARALELOS AO SEU!http://4.bp.blogspot.com/_f-BlujrKb_s/TDPckIcO9QI/AAAAAAAAARs/L0xDE3U4cO0/s1600/tupi-calvin-e-mafalda.jpg Calvin, um menino maluquinho criado pelo americano Bill Watterson em 1985, é um dos personagens que certamente teria esse poder de enxergar e até interagir com outros universos. Dono de uma imaginação privilegiada, é através da fantasia levada a sério(!) que ele reflete sobre as contradições, ironias, tira conclusões geralmente hilárias, mas também sérias e contundentes sobre o mundo dos adultos, que já é, na percepção do autor, um outro universo bem distinto daquele em que vivem as crianças (e alguns adultos) capazes de explorar a imaginação de tal forma! A comparação de Calvin com a Mafalda de Quino é inevitável, já que ambos questionam e ironizam constantemente o mundo dos adultos, diferente por exemplo do clássico 'Peanuts' (Charlie Brown), do americano Schulz, onde os adultos nem mesmo aparecem nas tirinhas! Mas há diferenças importantes, determinadas pelos contextos real e ficcional dos autores e personagens. A Mafalda dava voz às críticas sutis, disfarçadas quando necessário, sobre uma realidade política complicada por golpes militares, repressão, colonialismo cultural vividos pela Argentina e outros países da América Latina nos anos 60 e 70. Ali não há tanta fantasia, e além da personagem central há diversos outras crianças, todas com personalidades diversas e bem definidas. Calvin, por outro lado, vive nos EUA dos anos 80 e 90, o império da indústria do entretenimento, e embora mantenha a linha filosófica de sua antecessora sul-americana, mostra-se mergulhado no mundo fantástico, conversando o tempo todo com seu melhor amigo, companheiro de aventuras, o tigre Harold (Hobbes) que, numa primeira leitura, dificilmente o leitor entenderia como um amigo imaginário, um bichinho de pelúcia transformado pelo poder da imaginação infantil. Mas essas características, ao contrário do que possa parecer, não fazem de Calvin um garoto alienado: a boa reflexão sobre a realidade, afinal, vem associada à fantasia desde as fábulas e mitos presentes em todas as culturas mais antigas!
Embora tenha devorado as tirinhas da Mafalda quando era criança, confesso que sou um leitor bastante recente do universo de Calvin, que vim a conhecer melhor apenas algum depois da famosa carta que Watterson escreveu em 1995, ao deixar de desenhar as tirinhas diárias, depois inclusive de já ter criado o Tupinanquim e desenvolvido as primeiras tirinhas e HQs do personagem; o que também não significa que o meu trabalho com o curumim urbano não venha a ter alguma influência do autor de Calvin and Hobbes, afinal os universos ficcionais estão sempre sendo acrescidos de novos elementos, conforme evolui a nossa percepção da realidade e da ficção...
Enfim, este post é minha homenagem a Bill Watterson, que completou 52 anos na última segunda feira, 05/07, e seus personagens mágicos! Aproveitei esse nosso momento de certa alienação, assumida até, em que tanto falamos de futebol e copa do mundo, pra mostrar o Tupinanquim meio perdido nesse contexto após a derrota da seleção brasileira, e Mafalda representando uma cidadã argentina triste mas solidarizada com a frustração de todo o continente nesse cenário futebolístico, e a personalidade contestadora caracterizada pela paráfrase ao conterrâneo Chê! Não é a Mafalda de Quino, claro, mas uma paródia daquela; a ironia do cartum, porém, acredito que traga um pouquinho do que aprendi lendo esses dois mestres.

Um comentário:

  1. Calvin é leitura obrigatória! Li muito na escola e depois que me formei também. Não me canso de ler e rir muito com as façanhas do Calvin...
    Abraço, Artmann!

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